Diogo: quando a saudade também toca o sinal

Há sons que fazem parte da nossa vida sem que percebamos o quanto significam. O sinal da escola é um deles. Todos os dias, ele anuncia chegadas, marca intervalos, interrompe conversas, chama para a sala, encerra aulas. É tão familiar que, muitas vezes, nem nos damos conta de que também faz parte das nossas memórias.

Mas, na próxima semana, o sinal da nossa escola tocará diferente. Não porque sua melodia tenha mudado, mas porque, entre uma nota e outra, haverá uma saudade que não caberá nos corredores. Será um sinal carregado de lembranças, de abraços que gostaríamos de repetir, de risadas que ainda parecem ecoar e de uma presença que, por muito tempo, fez parte dos nossos dias.

Diogo esteve aqui desde o Maternal. Era ainda tão pequeno quando começou a percorrer esses corredores, descobrir as salas, fazer amigos e construir, sem saber, uma história que se entrelaçaria à história da nossa escola. Cresceu diante dos nossos olhos. Passou pelas primeiras descobertas, pelas brincadeiras da infância, pelas mudanças e pelos desafios de cada etapa. Chegou aos 13 anos, estudante do 8º ano, levando consigo aquele jeito tão seu de ser.

E como era Diogo? Travesso, cheio de personalidade, era daqueles alunos que às vezes aprontam e arrancam da tia Karina, a diretora, um olhar de reprovação, mas que mal consegue esconder um sorriso. Tinha suas brincadeiras, suas levadices, seu jeito espontâneo. Mas também tinha uma doçura muito particular, um coração amoroso e uma maneira de demonstrar carinho que fazia dele alguém tão querido. É impossível pensar em Diogo sem lembrar de sua essência: um menino cheio de vida.

É estranho pensar que alguém que esteve conosco por tantos anos, que cresceu entre nossas salas e corredores, agora fará parte das lembranças. Os dias continuarão seguindo sua rotina. Os alunos chegarão, as aulas acontecerão, os professores chamarão suas turmas. Mas alguma coisa terá mudado para sempre. Porque existem ausências que não ocupam apenas um lugar vazio: elas modificam o jeito como olhamos para os lugares que antes eram tão familiares.

Na próxima semana, quando o sinal tocar, talvez alguns se lembrem de suas brincadeiras. Outros se recordem de uma conversa, de uma risada, de uma travessura ou de um gesto de carinho. E haverá aqueles que simplesmente sentirão falta, sem conseguir explicar exatamente do que. Talvez seja assim que a saudade se manifeste: nos pequenos detalhes, nos lugares de sempre, nos sons que continuam iguais, mas que nunca mais serão ouvidos da mesma maneira.

Diogo, você chegou à nossa escola ainda tão pequenino e, de alguma forma, cresceu também dentro de nós. Sua história faz parte da nossa história. E, embora não possamos mais encontrar você pelos corredores, sua lembrança continuará caminhando por eles.

 

Texto Karina Oliose

 

Fonte do Conteudo: Editor Matérias (site Luciana) – espiritosantonoticias.com.br

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