A mãe de Arthur Lessa Ricas, de 21 anos — cujo nome será preservado para evitar possíveis ataques e ameaças — relatou à jornalista Luciana Maximo, na tarde desta quarta-feira (19), que Brenda Felix, de 24 anos, era uma jovem cheia de sonhos e planos para recomeçar a vida longe do companheiro.
Segundo ela, Brenda planejava deixar Arthur definitivamente e ir morar em Paraju, distrito de Marechal Floriano, onde trabalharia ao lado dela, cuidaria dos filhos e juntaria dinheiro para, posteriormente, mudar-se para Curitiba, no Paraná.
“Eu tenho um sonho, sogra. Nós vamos crescer. Eu vou trabalhar, você me ajuda a olhar as crianças. Ela queria ter uma moto, queria fazer o pastel dela frito na hora. Ela gostava de cozinhar. A gente ia lá para cima trabalhar, ia fazer sacolé gourmet para vender, ela ia fazer salgados. Uma ajudando a outra. E depois, a gente ia juntar dinheiro para ir embora para Curitiba, onde minha filha Samara mora. Lá ele não ia achar ela nunca. Lá é muito grande. Mas não deu tempo”, contou.
O dia do crime
Os planos, porém, foram interrompidos na segunda-feira (17), quando Brenda foi morta com um golpe de faca no pescoço, segundo as informações apuradas sobre o caso.
Naquele dia, de acordo com os relatos já apresentados à reportagem, a Polícia Militar foi acionada após uma situação envolvendo o casal. Quando os militares chegaram ao local, Arthur teria entrado na residência onde Brenda estava. Ainda conforme os relatos, ele estava com o bebê de quatro meses no colo, entregou a criança à irmã, retirou uma faca que carregava na cintura e atingiu Brenda no pescoço. O ataque teria acontecido em poucos segundos.
A mãe de Arthur afirma que ninguém que estava no local sabia que ele carregava uma faca.
Para ela, a violência não tirou apenas a vida de Brenda, mas também interrompeu os sonhos que a jovem fazia para o futuro.
“Eu sinto por ela”
Mesmo sendo mãe de Arthur, apontado como autor do feminicídio, ela afirma que, neste momento, sente a perda de Brenda e demonstra indignação com o próprio filho.
“No momento eu sinto por ela. Tenho raiva dele, que tirou ela da gente. Tirou dos filhos. É uma dor que não tem fim”, desabafou.
Ela contou ainda sobre a relação de Brenda com os filhos e, especialmente, com o bebê de quatro meses.
“Vovó, eu vou voltar. Vou lá ver a vovó Vanessa. A mamãe está no hospital”, relatou, emocionada, ao falar sobre o que a criança vivenciou após a morte da mãe.
Segundo ela, Brenda era muito dedicada aos filhos.
“Eu olho para meu neto e sinto ódio dele (do pai). O bebê era apaixonado pela mãe. Ela brincava com ele, jogava ele para cima. Ele parecia muito com ela. Ela cuidava muito bem das crianças. Era apaixonada por aquelas crianças, muito apaixonada. Eu não sei o que será do bebê. Está nas mãos de Deus. Mas, se eu puder, eu fico com ele. Eu e minha filha”, afirmou.
A história relatada pela mãe de Arthur revela que, por trás da tragédia, havia uma jovem que fazia planos para recomeçar, trabalhar, conquistar sua independência e construir uma nova vida para si e para os filhos.
Brenda tinha sonhos. Queria trabalhar, fazer seus salgados, comprar uma moto, juntar dinheiro e chegar a Curitiba. Mas não deu tempo.
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Fonte do Conteudo: Luciana Máximo – www.espiritosantonoticias.com.br