Eleições 2026: Negócio com Master semeia dúvidas sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro

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A onda de choque das fraudes do Banco Master atingiu o senador Flávio Bolsonaro. Sua candidatura à presidência da República se tornou dúvida no Partido Liberal e entre simpatizantes aglutinados no bloco parlamentar conhecido como Centrão.

A incerteza surgiu depois de divulgada mensagem telefônica que enviou a Daniel Vorcaro, antigo dono do Master. A gravação foi revelada pelo portal The Intercept/Brasil nesta quarta-feira (13/5).

Flávio Bolsonaro aparece cobrando de Vorcaro pagamento de 134 milhões de reais, equivalentes a 25 milhões de dólares. O dinheiro seria, supostamente, para financiar a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro. É quantia quatro vezes maior que o orçamento médio das produções nacionais mais caras. Supera o valor do contrato (129 milhões de reais) do Master com a banca jurídica da família do juiz Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

O recado gravado e uma série de mensagens trocadas entre o senador e o ex-banqueiro, acusado de fraude financeira bilionária, foram coletados em investigações da Polícia Federal. Mostram que, antes de ser preso, Vorcaro pagou ao senador 61 milhões de reais, ou 11,5 milhões de dólares, segundo The Intercept Brasil.

Em nota pública, o candidato alegou: “O que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet.”

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Pouco depois, a gravação, as mensagens e esse conjunto de 27 palavras foram desmentidos pela produtora do filme sobre Jair Bolsonaro, a Go Up Entertainment: “[A empresa] afirma categoricamente que, dentre os mais de uma dezena de investidores que compõem o quadro de financiadores do longa-metragem [Dark Horse, no título em inglês] não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário.”

Com a negativa, sobra mistério sobre o destino dos 61 milhões de reais que Flávio Bolsonaro teria recebido de Vorcaro. Assim como permanece enigmática a natureza do negócio do operador de fraude financeira bilionária com o candidato à presidência do Partido Liberal.

É conhecida a habilidade de Flávio Bolsonaro em negócios. Entre 2010 e 2017, quando era deputado estadual no Rio de Janeiro, ele realizou ao menos 19 grandes transações imobiliárias em Copacabana, Barra, Botafogo e Laranjeiras. Gastou R$ 9,4 milhões  e lucrou R$ 3 milhões no espaço de 84 meses.

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Por aparente incompatibilidade com a renda de parlamentar, o Ministério Público pediu-lhe explicações sobre a origem, os lucros e o destino do dinheiro. Em resposta, alegou ser vítima de “perseguição” por ser filho do então presidente.

A obscura transação milionária com o antigo dono do Master deixou o candidato presidencial do PL no alvo da desconfiança. No plenário da Câmara, um ex-aliado do clã Bolsonaro puxou o coro de críticas: “Eu sou do Rio, eu já sabia que isso iria estourar em algum momento”, discursou o deputado Otoni de Paula (PSD), líder evangélico. “Iria estourar mesmo, porque o senador Flávio é batedor de carteira, porque o senador Flávio faz isso mesmo. Sabe o que eles queria fazer? Usar o filme do pai para lavar dinheiro. Usar o filme do pai para lavanderia. Infelizmente, é o que está acontecendo com a direita, não a direita, com o bolsonarismo. Bolsonarismo é isto que estamos vendo.”

O candidato presidencial do Partido Liberal está sob pressão para renunciar. Por enquanto, resiste. Até porque significaria desistir de um pedido do pai, que está preso e inelegível, para manter o sobrenome nas urnas de outubro.

Fonte do Conteudo: José Casado – veja.abril.com.br

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