O Ministério Público e a polícia decidiram rejeitar a segunda proposta de delação premiada do Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master. Acusado fraudes financeiras bilionárias, ele vai continuar presidiário.
Já a oposição não sabe o que fazer com Flávio Bolsonaro. O candidato do Partido Liberal ainda é o mais destacado adversário de Lula nas pesquisas sobre a disputa presidencial, mas enfrenta uma crise de confiança eleitoral, consequência das revelações sobre os negócios obscuros que manteve com o ex-banqueiro Vorcaro.
No mês passado, ele admitiu ter pedido 134 milhões de reais ao antigo dono do Master. Teria recebido 61 milhões de reais, supostamente para financiar uma cinebiografia sobre o pai, Jair Bolsonaro. “Foi uma relação privada de investimento, única e exclusivamente por conta do filme”, argumentou ontem no Fórum VEJA.
Flávio Bolsonaro, desde então, se consolidou nas pesquisas eleitorais como um campeão de rejeição, à frente de Lula. A sondagem Nexus/BTG, divulgada nesta segunda-feira (15/6), o confirma nessa posição.
Ampla maioria (56%) das mulheres diz que não votariam nele “de jeito nenhum”. Entre os homens a taxa é pouco menor — representativa de quase metade (48%) do eleitorado.
A rejeição (56%) é igual entre os mais pobres, com renda mensal até dois salários-mínimos, entre os trabalhadores em atividades informais e aqueles que vivem nas cidades-satélites das capitais, nas regiões metropolitanas.

É situação inédita: a pouco mais de três meses das eleições, a maioria dos eleitores declara rejeitar o candidato da oposição mais destacado nas pesquisas, e o principal motivo é a desconfiança sobre suas relações com um ex-banqueiro preso por fraudes.
A mais recente pesquisa Quaest/Genial mostra que grande parte (64%) dos eleitores que se identificam como independentes acredita que Flávio Bolsonaro sabia da corrupção política envolvendo o Banco Master e empresas associadas quando pediu dinheiro a Daniel Vorcaro.

É o que diz achar, também, um de cada três eleitores autodeclarados integrantes da “direita não bolsonarista”.
Entre esses, há uma parcela expressiva (38%) que atribui a Jair Bolsonaro um erro político básico: ter escolhido o filho como candidato à presidência da República.
Fonte do Conteudo: José Casado – veja.abril.com.br