A jornalista, que havia publicado matérias sobre a importância do Escritório Social e um artigo de opinião a respeito do tema, se tornou alvo dos vereadores. Eles a acusaram de ter sido “comprada” com R$ 10 mil para interromper suas críticas à administração municipal. Em um dos ataques, o vereador Ruan Miranda exibiu na tribuna a imagem de um edital da Lei Aldir Blanc, no qual Luciana foi contemplada com o valor de R$ 10 mil na categoria de literatura. O vereador sugeriu que esse dinheiro teria sido um pagamento do prefeito Paulo Cola para silenciar a jornalista. Em outro momento, o vereador Jorge Miranda afirmou que a jornalista “enfiou 10 mil reais no bolso e fechou os olhos”, a chamando de “resto e lixo da sociedade” e acusando seu jornalismo de ser “de falcatrua”. Ele chegou a proferir ameaças veladas a um empresário, mencionando “queimadinha” e dizendo que sua “hora vai chegar”.
Luciana Máximo refutou as acusações, esclarecendo que o recurso de R$ 10 mil que ela recebeu é proveniente da Lei Aldir Blanc, uma verba federal destinada a projetos culturais. A jornalista declarou que o dinheiro foi um prêmio por ter sido a primeira colocada na categoria de literatura e não um “cala a boca” dado pelo prefeito. Ela enfatizou que seu trabalho jornalístico continuará a ser imparcial e que as tentativas de intimidação não terão sucesso.
Votação adiada e o modelo de contratação
Em meio à tensão, o projeto de lei não foi votado. O vereador e Líder do Governo, Elber Luiz, pediu vistas ao projeto, justificando a necessidade de tempo para que o promotor e o juiz apresentem um documento aos vereadores, detalhando a importância do Escritório Social e o motivo para a modalidade de contratação ser por Designação Temporária (DT).
O projeto prevê a contratação de um assistente e um psicólogo por designação temporária para o Escritório Social. Segundo Elber, a escolha por contratações temporárias se dá por uma exigência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que estabeleceu um convênio de cinco anos para a política pública. Ele argumentou que a prefeitura, sob a gestão de Paulo Cola, age com planejamento e que o último concurso público teve como objetivo sanar demandas anteriores.
A polêmica em torno do modelo de contratação surgiu porque alguns vereadores defendem a convocação de profissionais aprovados no último concurso para ocupar as vagas, em vez de recorrer à Designação Temporária. O Escritório Social de Piúma é pioneiro na política de reinserção de egressos do sistema prisional e seus familiares, e sua interrupção traria um “enorme prejuízo” para a política social, uma vez que o regimento interno da Câmara não permite que um projeto reprovado seja reapresentado no mesmo ano.
Fonte do Conteudo: Luciana Máximo – www.espiritosantonoticias.com.br