Especialista defende comunicação empática e transparente para manter a confiança do cidadão digital
Por Denise Miranda
Em um cenário marcado pela atenção fragmentada e pelo excesso de informações, a comunicação pública enfrenta o desafio de se reinventar para dialogar com o cidadão digital. Esse foi o foco de um dos painéis mais debatidos da COMPOL ES, que discutiu como a linguagem institucional tradicional perdeu força diante das novas dinâmicas de consumo de conteúdo nas redes sociais.
Comunicadores e gestores públicos reconheceram que o modelo tradicional — baseado em notas, releases e discursos formais — já não desperta interesse. “A comunicação pública precisa ser sobre pessoas, não sobre instituições”, afirmou o professor e pesquisador Fábio Malini, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). “Quando o cidadão sente que está sendo ouvido, ele se engaja. Quando percebe distância, ele se desliga.”
O painel destacou que a credibilidade e a conexão emocional se tornaram ativos estratégicos. Não basta mais informar: é preciso emocionar, escutar e responder com agilidade. “Os governos ainda falam como se estivessem em um palanque, quando deveriam estar em uma conversa de WhatsApp”, pontuou Malini, arrancando risos e concordância da plateia.
O consenso foi direto: a comunicação pública precisa ocupar os mesmos espaços onde o cidadão está — WhatsApp, TikTok, Instagram, X (antigo Twitter) — e adotar uma linguagem mais humana, transparente e participativa.
Segundo os especialistas, comunicar bem é também uma forma de governar. A transparência deixou de ser apenas obrigação legal e passou a ser estratégia de aproximação e construção de confiança. “Não adianta publicar relatórios se ninguém entende o que está sendo dito. É preciso traduzir o governo para o cidadão comum”, reforçou Malini.
Campanhas que priorizam histórias reais, vídeos curtos e uma abordagem menos protocolar vêm se destacando e viralizando. Elas mostram que é possível equilibrar seriedade institucional com leveza digital — sem perder a essência da responsabilidade pública.
Fonte do Conteudo: Erik Oakes – esbrasil.com.br