Encontro na Firjan marca o lançamento da Agenda Nuclear para um Brasil Competitivo

Instalações das usinas nucleares Angra I e II. Angra dos Reis/RJ. – Foto: Saulo Cruz – MME

A sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) recebeu o lançamento da Agenda Nuclear para um Brasil Competitivo, documento elaborado por especialistas e representantes da indústria com base em propostas consideradas prioritárias para o próximo ciclo de governo.

O encontro aconteceu nesta terça-feira (14), com promoção da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN), e marca o início dos debates sobre a inserção da tecnologia nuclear no desenvolvimento econômico, na segurança energética, na inovação e na competitividade nacional.

O evento, que aconteceu no Flamengo, bairro da Zona Sul carioca, reuniu políticos, empresários, pesquisadores, representantes da indústria e especialistas do setor que analisaram o crescimento da demanda global por energia firme, impulsionada pela expansão da inteligência artificial, dos data centers e das metas de descarbonização.

Presente ao evento, o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, comentou sobre a relevância da agenda nuclear para o futuro econômico nacional, sobretudo para o Rio de Janeiro, e para o fortalecimento do parque industrial do brasileiro:

“O avanço do Brasil neste campo representa soberania, inovação e geração de oportunidades. Ao mesmo tempo, oferece uma contribuição estratégica para áreas de grande relevância, como saúde, indústria, agricultura e pesquisa científica”, disse Caetano, lembrando que “Angra 3 representa desenvolvimento tecnológico, fortalecimento da indústria nacional, geração de empregos qualificados, impulso à inovação e aumento da competitividade do país”.

O presidente da Firjan acrescentou que a conclusão da usina geraria um grande impacto na economia fluminenses, pois “fortaleceria todo o complexo nuclear e uma cadeia produtiva que reúne mais de 700 empresas e cerca de 70 mil empregos diretos e indiretos”.

Para Luiz Césio Caetano, o debate é uma janela de oportunidade por ocorrer em um ano eleitoral: “É imprescindível sensibilizar os candidatos à presidência da República, ao Congresso Nacional e às lideranças estaduais sobre a importância desse setor para o desenvolvimento do Brasil.”

Já o presidente da ABDAN, Celso Cunha, ressaltou que a proposta visa apresentar um conjunto de ações objetivas e viáveis para acelerar o desenvolvimento do setor:

“Construímos uma agenda focada em prioridades que podem ser executadas. O objetivo foi identificar ações que contribuam para transformar o potencial já existente em resultados para o país. O Brasil possui ativos estratégicos, conhecimento técnico e uma indústria preparada para avançar”, disse Cunha.

RMB entra no debate político

O Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), projeto estratégico para ampliar a produção de radioisótopos utilizados em diagnósticos e tratamentos médicos, foi um dos temas que mais mobilizou o debate. Sibila Grallert, vice-presidente e Diretora Geral da CMR Brasil, destacou que o Brasil depende da importação de radioisótopos e que o atraso na conclusão do RMB afeta a autonomia nacional:

“O país possui conhecimento técnico acumulado e instituições capacitadas. O desafio é garantir continuidade de investimentos e governança para transformar essa capacidade em benefício direto para a população”, afirmou.

O deputado federal Daniel Soranz (PSD-RJ), por sua vez, defendeu a inclusão do projeto na atual agenda eleitoral, além de ter proposto a transferência do empreendimento para o Rio de Janeiro:

“Espero que São Paulo tenha capacidade de concluir esse projeto. Mas, se não tiver, nós faremos no Rio de Janeiro. Precisamos colocar esse tema nas agendas estratégicas do país. O Reator Multipropósito Brasileiro deve ser tratado como prioridade nacional e fazer parte dos compromissos assumidos pelos próximos governos”, comentou Soranz, lembrando a importância da tecnologia nuclear para a saúde pública, inclusive para o município do Rio de Janeiro que  ampliou o acesso à medicina nuclear:

“O que antes era visto apenas como um possível problema hoje se revela um dos maiores ativos para o diagnóstico e tratamento do câncer. A medicina nuclear salva vidas e precisa ser tratada como uma política estratégica de Estado,” concluiu Daniel Soranz.

Também presente ao debate, o deputado federal e presidente da Frente Parlamentar da Tecnologia e Atividades Nucleares, Julio Lopes (PP-RJ), reforçou a necessidade de conclusão de Angra 3 e defendeu a ampliação da participação da energia nuclear na matriz elétrica brasileira.

“Angra 3 é uma obra vital para a economia do Rio de Janeiro e para o Brasil. Estudos mostram que cada real investido no empreendimento gera múltiplos impactos econômicos ao longo da cadeia produtiva. É um projeto que combina geração de empregos, desenvolvimento industrial e fortalecimento tecnológico”, afirmou Lopes, que relacionou o avanço da energia nuclear ao crescimento dos data centers e da inteligência artificial:

“Se o Brasil pretende ampliar sua participação na economia digital global, precisará de muito mais energia firme. E a energia nuclear é uma das fontes mais eficientes para atender essa demanda,” disse ele.

Sobre o tema, o deputado federal Reimont (PT-RJ) destacou: “O Rio de Janeiro concentra uma parcela importante da infraestrutura nacional de pesquisa, inovação e formação de talentos. Fortalecer o setor nuclear significa fortalecer também a capacidade de desenvolvimento do estado e do país.”

Série de encontros

A ABDAN informou que a Agenda Nuclear para um Brasil Competitivo é o início de uma série de encontros que serão realizados ao longo do ano, com o objetivo de aprofundar o debate sobre temas como energia, medicina nuclear, cadeia produtiva, inovação, formação de profissionais, segurança energética e competitividade industrial.

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Fonte do Conteudo: Patricia Lima – diariodorio.com

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