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ESG amplia influência nas políticas públicas do ES

Incorporado a planos de longo prazo, o ESG passa a orientar políticas públicas, gestão e desenvolvimento no Espírito Santo

Por Daniel Hirschmann

À medida que a agenda ESG deixa de ser tratada apenas como estratégia empresarial e passa a se consolidar como eixo de gestão de riscos e desenvolvimento de longo prazo, seus efeitos extrapolam o setor privado e alcançam o desenho das políticas públicas. Em um cenário marcado por maior pressão regulatória, emergência climática e cobrança por resultados mensuráveis, governos passam a incorporar critérios ambientais, sociais e de governança como parte central do planejamento estatal.

No Espírito Santo, esse movimento se traduz na incorporação do ESG aos planos estruturantes de desenvolvimento, como o ES-2030 e o ES-500 Anos, além de ferramentas de monitoramento que buscam dar transparência e mensurar impactos. A experiência capixaba indica que a agenda avança quando articulada entre poder público, setor produtivo e sociedade, mas ainda enfrenta o desafio de se consolidar como cultura permanente — e não apenas como diretriz formal.

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Além do setor privado, a agenda ESG também tem reflexos nas políticas públicas. Nesse sentido, o Estado vem adotando práticas voltadas à sustentabilidade, presentes nos planos de desenvolvimento do estado, como o ES-2030 e o ES-500 Anos, em elaboração. Segundo o Centro de Liderança Pública (CLP), que faz o monitoramento da competitividade no campo do ESG, o estado ficou em sétimo lugar no ranking da competitividade dos estados com a agenda ESG, em 2024.

“No plano que vai ser entregue para a sociedade capixaba, o plano ES 500 Anos, as práticas ESG estão presentes” – Pablo Lira, diretor-presidente do IJSN – Foto: IJSN

O monitoramento das políticas públicas do governo do Estado e dos projetos prioritários pode ser feito no Portal ESG (ESGES), com dados de governança e sustentabilidade que mostram os indicadores das políticas públicas capixabas e o impacto nas práticas de gestão ambiental, social e de governança corporativa.

Segundo o diretor-presidente do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Pablo Lira, o impacto dessas políticas públicas na melhoria dos indicadores sociais e econômicos pode ser constatado na perspectiva dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).

“São indicadores sociais de pobreza, extrema pobreza, e também econômicos, como geração de emprego e mercado de trabalho, que estão lá nos ODS e têm uma conexão com as práticas ESG, por meio das quais esses indicadores tendem a melhorar”, salienta Lira.

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Entretanto, ele ainda vê a necessidade de fortalecer uma cultura das práticas ESG na gestão pública e também na iniciativa privada. “Eu acho que esse é um dos principais gargalos para a gente implementar e consolidar as práticas ESG aqui no Espírito Santo, apesar de termos avançado muito”, diz o diretor do IJSN.

ESG amplia influência nas políticas públicas do ES
Fonte: ifrs.org e gov.br/cvm

Na visão dele, graças à sinergia entre o setor público estadual, os governos municipais e o setor produtivo, com as associações empresariais, as práticas ESG tendem a se consolidar no estado nos próximos anos. “No plano que vai ser entregue para a sociedade capixaba, o plano ES 500 Anos, as práticas ESG estão presentes”, garante Lira.

ESG como padrão

Marcel Fukayama avalia que o que falta para o ESG deixar de ser diferencial e se tornar um padrão mínimo é uma mudança de cultura, o que também depende, em larga escala, de uma estrutura e de “mudar as regras do jogo”. No Brasil isso envolve mercado financeiro, com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Ambima), e a regulação, com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

“Falta uma prefixação de conduta, faltam parâmetros para essa conduta. Por isso, nós precisamos aprimorar a regra do jogo, para que essa cultura passe a ser válida em larga escala. Nós também precisamos evoluir nesse arcabouço institucional e jurídico, na lógica de mitigação de impacto negativo, ou simplesmente redução de dano”, destaca Fukayama.

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“Nós mais tivemos avanços do que retrocessos e temos aí um ajuste especialmente na combinação de discurso e prática”, Marcel Fukayama, cofundador do Sistema B no Brasil - Foto: Acervo Din4mo
“Nós mais tivemos avanços do que retrocessos e temos aí um ajuste especialmente na combinação de discurso e prática”, Marcel Fukayama, cofundador do Sistema B no Brasil – Foto: Acervo Din4mo

Ele entende que as empresas precisam gerar impacto socioambiental positivo no seu ambiente de trabalho, na sua cadeia de valor e no modelo de negócio. “No balanço líquido, essa empresa tem que ser positiva, não pode simplesmente empatar e promover uma redução de dano como algo suficiente. Então, é nesses avanços normativos, regulatórios, institucionais, que nós precisamos avançar para que essa agenda seja um padrão mínimo esperado”, explica.

*Matéria publicada originalmente na revista ES Brasil 227, de junho de 2025. Leia a edição completa aqui.

Fonte do Conteudo: Nathanael Rodor – esbrasil.com.br

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