Estudo recomenda rastreio anual de fragilidade após os 65 anos

Pessoas com mais de 65 anos devem passar por um rastreio anual de fragilidade como parte da rotina de cuidados de saúde. A recomendação vem de um estudo publicado em 04 de maio no Medical Journal of Australia, que propõe a inclusão da triagem na atenção primária como forma de identificar precocemente idosos com maiores riscos de complicações.

A fragilidade é uma condição clínica caracterizada pela redução da capacidade do organismo de lidar com estresses, o que aumenta a vulnerabilidade a eventos como quedas, hospitalizações e perda de independência. O estudo destaca que o problema pode ser identificado antes de se tornar grave, permitindo intervenções eficazes.

A recomendação muda a prática

O trabalho, conduzido por especialistas em saúde do envelhecimento, funciona como uma diretriz clínica voltada à prática médica. Os autores defendem que o rastreio deve ser realizado anualmente em pessoas com 65 anos ou mais, especialmente na atenção primária, onde ocorre o primeiro contato com o sistema de saúde.

A proposta é usar ferramentas simples, rápidas e validadas, capazes de detectar sinais iniciais de fragilidade ainda em consultas de rotina. A recomendação parte da constatação de que muitos idosos apresentam estágios iniciais da condição — conhecidos como pré-fragilidade — sem diagnóstico formal.

Segundo os pesquisadores, a ausência de triagem sistemática faz com que o problema só seja identificado em fases mais avançadas, quando as consequências já impactam diretamente a qualidade de vida.

Fragilidade vai além da idade e pode ser revertida

Embora esteja associada ao envelhecimento, a fragilidade não é considerada uma consequência inevitável da idade. Trata-se de uma condição dinâmica, que pode ser prevenida ou até revertida com intervenções adequadas. Entre os principais sinais que podem indicar fragilidade estão:

  • Perda de peso não intencional;
  • Sensação frequente de exaustão;
  • Redução da força muscular;
  • Lentidão ao andar;
  • Baixo nível de atividade física.

A identificação precoce permite agir antes que ocorram desfechos mais graves, como quedas com fraturas ou necessidade de internação prolongada. O estudo reforça que, uma vez identificada, a fragilidade pode ser tratada com estratégias relativamente simples e de baixo custo.

  • Exercícios físicos regulares, com foco em força muscular;
  • Ajustes na alimentação, com suporte nutricional;
  • Revisão de medicamentos;
  • Estímulo à socialização e à autonomia.

Envelhecer com autonomia passa pela prevenção

A abordagem deve ser individualizada e integrada, considerando as necessidades de cada paciente. Em vez de agir apenas diante de doenças já instaladas, a proposta prioriza a identificação precoce de riscos e a manutenção da funcionalidade.

Com o aumento da expectativa de vida, estratégias preventivas ganham protagonismo. O objetivo não é apenas prolongar os anos de vida, mas garantir que o envelhecimento ocorra com qualidade, independência e segurança.

Fonte do Conteudo: Metrópoles – www.metropoles.com

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