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Ferraço pode vencer no 1º turno? O que dizem os números

A eleição para o Governo do Espírito Santo pode apresentar um desfecho já no primeiro turno, e os números que sustentam essa possibilidade passam principalmente pelo desempenho de Ricardo Ferraço (MDB). Na pesquisa Real Time Big Data realizada em 20 e 21 de julho, o governador apareceu com 41% das intenções de voto, contra 30% de Lorenzo Pazolini (Republicanos) e 10% de Helder Salomão (PT). Somados, os três concentram 81% das preferências, o que coloca Ferraço em uma posição matematicamente favorável caso essa distribuição de votos se mantenha até outubro.

A possibilidade ganha força porque, para vencer no primeiro turno, um candidato a governador precisa obter mais da metade dos votos válidos. Como votos brancos e nulos são excluídos dessa conta, os 41% registrados por Ferraço na pesquisa não podem ser comparados diretamente com a marca de 50%. É necessário retirar da equação os votos que não serão válidos. No cenário pesquisado, porém, há ainda 10% de eleitores que não sabem ou não responderam.

É justamente aí que está o ponto central da matemática eleitoral: se parte desses indecisos migrar para os candidatos já pontuados, a proporção de Ferraço entre os votos válidos pode superar a metade. O cenário foi destacado no levantamento nacional publicado pela Veja, no último domingo (23).

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Como é feito essa conta

Uma conta simples ajuda a entender a possibilidade. Ferraço tem 41%, Pazolini 30% e Helder 10%. Esses três candidatos somam 81%. Se fossem considerados apenas os votos destinados a eles, Ferraço teria 41 ÷ 81 = 50,6%. É essa conta que coloca o governador ligeiramente acima da barreira matemática necessária para uma vitória em primeiro turno. Mas há uma ressalva fundamental: 50,6% não é uma projeção oficial de votos válidos da pesquisa.

Trata-se de uma proporção calculada sobre os três candidatos. Para chegar ao percentual efetivo de votos válidos, seria necessário saber como os indecisos se comportarão e considerar todos os nomes que efetivamente estarão nas urnas.

A vantagem de Ferraço não aparece apenas nesse cenário. A pesquisa Real Time Big Data apontou o governador na liderança em todas as simulações testadas para o primeiro turno. Quando outros nomes são acrescentados à disputa, entretanto, seu percentual diminui. Em uma das configurações mais amplas, Ferraço aparece com 29%, ainda na primeira posição, mas com uma distância bem menor para os adversários.

Isso revela um aspecto decisivo da eleição: a fragmentação da oposição pode ser tão importante quanto o tamanho da votação do próprio governador. Quanto mais candidaturas competitivas dividirem o eleitorado, menor tende a ser a parcela necessária, em termos absolutos, para que o líder se aproxime da maioria dos votos válidos.

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Gestão aprovada fortalece vantagem

Outro dado reforça a posição política de Ferraço: 76% dos entrevistados aprovam sua administração, enquanto 18% desaprovam. Na avaliação qualitativa, 47% classificam o governo como ótimo ou bom. A aprovação, evidentemente, não pode ser convertida automaticamente em intenção de voto. Um eleitor pode aprovar uma gestão e escolher outro candidato. Ainda assim, a combinação entre avaliação positiva e liderança nas pesquisas cria uma base eleitoral relevante para uma tentativa de encerramento da disputa já na primeira rodada.

A cautela necessária está no fato de que pesquisa eleitoral é uma fotografia de determinado momento. O levantamento que produziu os 41% foi realizado em julho, e o cenário político mudou desde então, inclusive com a definição das candidaturas. 

O que os números permitem dizer, portanto, é mais interessante do que uma simples previsão de vitória. Ferraço possui, neste momento, um caminho matemático plausível para tentar liquidar a eleição no primeiro turno, especialmente se conservar os 41% registrados no cenário de três candidatos e se os votos indecisos forem distribuídos entre os concorrentes.

A conta dos 50,6% mostra que a distância entre liderar a pesquisa e ultrapassar a maioria dos votos válidos pode ser menor do que os números brutos sugerem. Mas essa vantagem depende de uma variável que nenhuma pesquisa consegue congelar: o comportamento do eleitor até o dia da votação.

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O Espírito Santo, assim, chega à reta de preparação da eleição com uma questão central ainda em aberto: a vantagem de Ferraço será suficiente para transformar liderança em maioria absoluta dos votos válidos? Se o cenário de julho se reproduzir, a resposta pode ser positiva e o Estado poderá conhecer seu governador eleito já em 4 de outubro. Se a fragmentação aumentar ou os adversários conseguirem concentrar votos em torno de uma candidatura, a disputa pode caminhar para o segundo turno. A matemática hoje favorece Ferraço, mas ainda não encerra a eleição.

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Fonte do Conteudo: Joviana Venturini – esbrasil.com.br

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