Eletricista fraturou o joelho após ser atingido por cabos no bairro Gilson Carone; prefeitura prevê multas de aproximadamente R$ 4,3 mil para empresas que utilizam postes de forma irregular.
Cabos soltos e pendurados nas ruas de Cachoeiro de Itapemirim têm colocado motoristas e pedestres em risco e provocado reclamações de moradores. Um dos casos ocorreu em 5 de outubro, quando o eletricista Marcos Henrique Gomes caiu de motocicleta após ser atingido por fios baixos no bairro Gilson Carone. Ele sofreu uma fratura no joelho.
Marcos contou que trafegava em baixa velocidade e tentou desviar de parte da fiação, mas não conseguiu evitar a colisão. Um dos cabos atingiu a região do peito e subiu em direção ao pescoço, fazendo com que ele perdesse o equilíbrio. Na queda, a motocicleta caiu sobre seu joelho.
“Eu tentei desviar de alguns, só que outros pegaram na moto, e o outro pegou no meu peito, subindo para o pescoço. Nessa situação, fiquei com medo de pegar no pescoço, me desequilibrei e caí com a moto, que caiu em cima do meu joelho”, relatou.
O problema também afeta outras regiões do município. Moradores afirmam que fios ficam pendurados ou caem sobre as vias, dificultando a circulação e aumentando o risco de acidentes, especialmente em locais com passagem de caminhões e veículos de maior porte.
Fios rompidos dificultam circulação nas ruas
A professora Regiane das Neves relatou que veículos utilizados para entregas e abastecimento de supermercados frequentemente atingem os cabos instalados em altura inadequada. Segundo ela, depois que a fiação se rompe, os fios permanecem pendurados ou caídos na rua.
“Às vezes, os próprios carros que trazem alimentos ou abastecem supermercados passam e arrebentam os fios, que ficam caídos. Isso é prejudicial para nós”, afirmou.
No Centro de Cachoeiro, a empresária Maria da Penha Alves também relatou a presença de cabos próximos a estabelecimentos comerciais e pontos de ônibus. Em algumas situações, segundo ela, a fiação chega ao chão, sem que seja possível identificar se os fios pertencem à rede elétrica ou a empresas de internet.
“Tem dia que está assim. Tem vez que está no chão. E eu não sei se é fio de energia ou de internet. É muito perigoso. As autoridades têm que tomar providências”, disse.
Distribuidoras e operadoras têm responsabilidades distintas
A organização dos cabos instalados nos postes envolve as distribuidoras de energia elétrica e as empresas de telecomunicações que utilizam a infraestrutura compartilhada. As regras são estabelecidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
A Aneel informou que não dispõe de dados específicos sobre o problema em Cachoeiro. A agência explicou que as distribuidoras devem garantir que o compartilhamento dos postes esteja de acordo com as normas técnicas, enquanto as empresas de telecomunicações são responsáveis pela regularização dos próprios cabos e pelos custos correspondentes.
A Anatel, por sua vez, destacou que as distribuidoras administram o compartilhamento dos postes, aprovam projetos e fiscalizam as condições de ocupação. As prestadoras de serviços de telecomunicações devem cumprir as normas técnicas e a legislação aplicável.
Segundo a agência, a responsabilidade primária pelas condições de altura e organização da fiação está relacionada à gestão da infraestrutura pelas distribuidoras. A Anatel atua principalmente na fiscalização da qualidade e da regularidade dos serviços de telecomunicações.
Prefeitura prevê multas de cerca de R$ 4,3 mil
Em Cachoeiro, a legislação municipal prevê fiscalização e responsabilização de empresas por instalações irregulares e pela retirada de fios dos postes.
O secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Luciano Baptista Júnior, afirmou que o excesso de cabos instalados por empresas de internet está entre os problemas identificados no município.
Segundo ele, as prestadoras precisam manter contrato formal com a EDP para utilizar os postes. Empresas que não estiverem regularizadas ficam sujeitas às penalidades previstas na legislação municipal.
“Quando as empresas não têm esse contrato formalizado com a EDP, estão irregulares no município e ficam sujeitas a multas, que hoje estão na faixa de R$ 4,3 mil”, explicou.
O secretário afirmou que a fiscalização é contínua e também busca identificar cabos instalados abaixo da altura permitida. Uma das dificuldades, porém, é determinar a quem pertence a fiação, já que muitos cabos não apresentam identificação.
Luciano ressaltou ainda que as denúncias dos moradores ajudam a prefeitura a localizar os pontos problemáticos e adotar as providências necessárias.
EDP afirma que notifica operadoras e retira cabos perigosos
Em nota, a EDP informou que o compartilhamento dos postes por empresas de telefonia e internet segue as regras estabelecidas pela Aneel e pela Anatel. A distribuidora afirmou que notifica as prestadoras para que regularizem as condições da rede compartilhada e solicita a retirada de cabos rompidos.
A empresa também declarou que suas equipes retiram fios que oferecem riscos à segurança da população quando são identificados. Segundo a EDP, o aumento dos furtos de cabos de telecomunicações contribui para a ocorrência de fios soltos e pendurados nas ruas.
A distribuidora ressaltou que os reparos nos cabos de telefonia e internet devem ser realizados pelas empresas responsáveis, devido ao risco de interrupção dos serviços.
Enquanto moradores cobram medidas para evitar novos acidentes, Marcos defende uma atuação mais efetiva das autoridades e das operadoras. O eletricista afirma conhecer outras pessoas que também sofreram acidentes envolvendo fios de internet.
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Fonte do Conteudo: Luciana Máximo – www.espiritosantonoticias.com.br