Juliana foi sepultada na manhã deste sábado no Cemitério Municipal de Sant’Anna, em Macaé/RJ
Juliana Ribeiro, 38 anos, foi mais uma mulher que perdeu a vida para o feminicídio. Ela foi cruelmente assassinada a pedradas, ao lado de um galpão, no meio e um matagal, no Morro do Cabrito, em Campo Acima, Itapemirim, na tarde desta sexta-feira, 5. Era por volta do meio-dia.
Uma amiga de Macaé entrou em contato com a jornalista e relatou um pouco do drama que Juliana viveu até ser violentamente assassinada em Campo Acima.
Juliana era filha única e teve uma vida de intenso sofrimento. Ainda criança, foi abusada sexualmente por um parente. Sem suportar conviver com a dor e a revolta, entrou em depressão e conheceu as drogas, as mesmas que a levaram a apanhar tanto de três ex-companheiros, até encontrar o assassino que a matou a pedradas.
Contou uma grande amiga do passado, da cidade de Macaé, onde Juliana nasceu, que um dos homens com quem ela viveu a obrigava a se prostituir para conseguir dinheiro para que os dois pudessem se drogar. Ela não queria a vida que levava e, por isso, fugiu dele para o ES. Não imaginava que, do lado de cá do Rio Itabapoana, conheceria o homem que tiraria sua vida depois de levá-la a um matagal para fumar um “baseado”.
Juliana teve três filhos. O mais novo está com a mãe dela; os outros dois estão com o pai, um dos maridos que também bateu muito nela.
Nos prints das conversas (2025) com a amiga que contatou a jornalista, Juliana pedia ajuda para deixar o companheiro. Em uma das conversas, a amiga a orientava que pedisse ajuda à família, e ela dizia que iria sair andando pelas ruas. A amiga pedia que ela deixasse o ex-marido antes que ele a matasse.
“Chamei um Uber, amigo meu, só tenho R$ 15,00, vou pra onde?”, escreveu Juliana.
Do outro lado, pelo celular, no direct, a amiga orientava Juliana a ir para a casa da mãe. Era mais um dia em que havia apanhado do ex.
“Larga este cara, Ju. Você não merece estas coisas… não espera ser mais uma vítima de feminicídio, não.”
Naquele dia, o ano era 2025, Juliana pedia um resgate, e a amiga perguntava o que havia acontecido.
“ Tô na merda, apanhei de novo, tô aqui com a minha filha em casa, esperando o quê…”, dizia Juliana.
E a amiga exclamava:
“Nossa, amiga. Larga este cara, tá doida? Linda desse jeito, ficar apanhando…”
Juliana dizia que estava com medo de ele voltar e fazer algo pior com ela. Do outro lado, pelo direct do Instagram, a amiga oferecia a própria casa.
“Se não quiser ficar aqui em casa, por qualquer motivo pessoal seu, ou do seu esposo, aqui perto, em pousada barata com café da manhã, aí o almoço a gente faz aqui. Vocês passam o dia comigo, pelo menos. Depois vocês vão para a pousada. Comigo não tem simpatia, você sabe. O que tiver melhor para vocês, eu tô dentro”, dizia a amiga.
Juliana, com muito medo, explicou à amiga que só iria esperar ele ir ao banheiro ou ao quarto.
“Meto o pé.”
Ferida, Juliana estava com as duas meninas. O ex havia agredido Juliana na frente das duas filhas.
E a amiga continuava na mensagem:
“Eu oro tanto a Deus. Mudei tanto minha vida, sabe, pelos meus filhos e por mim, porque ele me ajudou, mas, por outro lado, ele me enfraquece com estas atitudes. Ele precisa de um tratamento também, sabia? Ele é muito estressado. Não sei se é trauma do passado, de algo que viveu, mas ele não é uma pessoa ruim, só não consegue controlar os sentimentos, tem dificuldade em lidar com algumas frustrações. Todos nós temos alguma dificuldade na vida, né? Já passou por muita coisa.”
E Juliana concordava:
“Sim, amiga, muitas lutas.”
A amiga de Juliana afirmava que Deus ainda iria honrá-la muito.
“Você sabe mais do que ninguém tudo que passei…”
E a amiga de Juliana continuava na conversa:
“Tem horas que nem a gente consegue acreditar que conseguimos chegar até aqui, né? Mas tudo que passamos é para aprendizado.”
Juliana pediu ajuda, não conseguiu deixar o vício e foi morta com requintes de crueldade. Teve a cabeça esmagada a pedradas por um homem que dizia que ela não iria ficar com mais ninguém, se não fosse só dele. Ele, depois de matar Juliana, se entregou à polícia e confessou o crime.
E, neste sábado pela manhã, Juliana foi sepultada no Cemitério Municipal de Sant’Anna, em Macaé/RJ.
Mãe de três filhos, Juliana era dependente química e pediu ajuda para deixar as drogas, mas, infelizmente, foi a sarjeta que encontrou até a sua morte cruel.
“Eu estou arrasada, sem chão. Parece que ainda estou esperando uma mensagem dela chegar, como tantas outras vezes. É muito difícil acreditar que a Juliana não está mais aqui.
Nós já moramos juntas, dividimos momentos, conhecemos as dores e as dificuldades uma da outra. Eu sabia das lutas que ela enfrentava, sabia o quanto ela sofria e, principalmente, sabia o quanto ela tentava sair daquela vida.
Eu tentei ajudá-la. Muitas vezes conversei com ela, pedi que deixasse aquele relacionamento, que procurasse a família, que viesse para perto de mim. Eu ofereci a minha casa. Eu queria que ela tivesse um lugar seguro para ficar, longe de tudo aquilo que estava fazendo tão mal a ela.
Mas as drogas eram uma prisão. E eu sentia que, por mais que ela quisesse sair, muitas vezes não conseguia.
A última mensagem que recebi dela me destrói por dentro. Ela me pediu desculpas por não ter conseguido se livrar das drogas. Aquilo ficou na minha cabeça. Ela sabia que precisava de ajuda, queria mudar, mas não conseguiu vencer aquela batalha.
E agora ela se foi de uma maneira tão cruel. Eu não consigo aceitar. Não consigo entender como uma mulher que já sofreu tanto ainda precisou terminar a vida dessa forma.
Eu fico pensando em tudo que poderia ter sido diferente. Nas vezes em que tentei ajudá-la, nas conversas que tivemos, nas vezes em que disse para ela ir embora, procurar a família, procurar ajuda.
A Juliana não era apenas os erros dela. Ela era uma pessoa que sofreu muito, que carregava dores desde criança e que, apesar de tudo, tinha sonhos, tinha filhos e queria viver.
Eu queria muito que ela tivesse conseguido. Queria que aquela última mensagem tivesse sido diferente. Queria ter recebido dela a notícia de que tinha conseguido sair das drogas, que estava bem, que tinha recomeçado.
Mas recebi a notícia da morte dela.
Estou sem chão. Arrasada. Com o coração partido e com uma sensação enorme de impotência. A Juliana precisava de ajuda, precisava de acolhimento, precisava de uma chance.
“Hoje, só peço que as pessoas não julguem a história dela sem conhecer tudo o que ela viveu. Antes de ser uma mulher que enfrentava a dependência, ela era uma menina que sofreu, uma mãe, uma amiga e uma pessoa que também tentou sobreviver às próprias dores”.(Amiga)
Que Deus conforte os filhos, a mãe e toda a família dela. E que ela finalmente encontre a paz que, infelizmente, não conseguiu encontrar em vida.”
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Fonte do Conteudo: Luciana Máximo – www.espiritosantonoticias.com.br