O governador em exercício do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, afirmou que recebeu R$ 84 mil líquidos no mês de maio. A declaração foi dada em entrevista à revista Veja, publicada nesta sexta-feira, 26 de junho.
O valor corresponde à soma das remunerações recebidas por Couto como governador em exercício e como presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, o TJRJ.
A revelação foi feita quando o desembargador falava sobre a diferença entre os salários pagos no Executivo estadual e no Judiciário. Para ele, a remuneração considerada baixa no alto escalão do governo dificulta a atração de profissionais para cargos no Palácio Guanabara.
“O governador do Rio tem salário bruto de R$ 21 mil. Como presidente do TJ e governador em exercício, recebi R$ 84 mil líquidos em maio. Se não ganhasse isso, já estaria pedindo a aposentadoria”, disse Ricardo Couto à Veja.
Na mesma entrevista, Couto também criticou a comissão da Alerj que fiscaliza gastos dos Três Poderes.
Valor supera salário bruto de Lula
A soma das remunerações recebidas por Ricardo Couto em maio supera o salário bruto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de R$ 44 mil. A comparação, porém, envolve bases diferentes: no caso de Couto, ele citou o valor líquido recebido pela acumulação das duas funções.
Questionado se considera justo um juiz de carreira receber mais do que o chefe do Executivo nacional, o governador em exercício evitou entrar em polêmica direta. Ele defendeu uma remuneração adequada para o presidente da República.
“O justo mesmo é que o presidente tenha uma remuneração adequada. Dito isso, existe um grande debate em curso sobre os salários da magistratura, e ele é importante. Acho que, se houver gestão eficiente, o Estado tem capacidade de pagar bem seus servidores”, afirmou Ricardo Couto.
Conversas com Lula sobre a dívida do Rio
Na entrevista, Ricardo Couto também falou sobre as negociações com o governo federal para a adesão do Estado do Rio ao Propag, programa que renegocia dívidas dos estados com a União.
Segundo o governador em exercício, as conversas com Lula foram tranquilas. Couto disse ainda que procurou diretamente o presidente para tratar da situação fiscal fluminense.
“Procurei o presidente, ele logo me atendeu e mencionou que era a primeira vez em muito tempo que um governador do Rio entrava em contato para falar do assunto. Contou que o último com quem teve uma conversa do tipo foi Sérgio Cabral, já que não tinha uma relação de proximidade nem de empatia com Cláudio Castro”, disse Ricardo Couto.
Governador em exercício defende legitimidade constitucional
Ricardo Couto também afirmou que o fato de não ter trajetória política nem planos eleitorais ajudou nas negociações. Ele defendeu sua permanência no cargo, embora a previsão inicial fosse de que ficaria no comando do Governo do Rio por cerca de um mês.
“Legitimidade popular eu não tenho, mas constitucional, sim. Entre estudiosos, vem prevalecendo a ideia de que a data em que a cadeira ficou vazia é que determina quem fica nela até a passagem para o próximo representante eleito. E tem uma razão de ser: garantir a segurança jurídica”, afirmou Ricardo Couto.
Couto segue no comando interino do Executivo fluminense por determinação do Supremo Tribunal Federal, o STF. A Corte ainda não definiu se a escolha do governador para o mandato-tampão no Rio de Janeiro será feita por eleição direta ou indireta.
Fonte do Conteudo: Quintino Gomes Freire – diariodorio.com