Hospital não tem otoscópio, ou falta empatia, doutora? | Jornal Espírito Santo Notícias


Que adianta um diploma de medicina e um jaleco branco se não for para aliviar o sofrimento alheio? Se não for para medicar, se não for para amenizar a dor de quem sente? Se não for para salvar vidas.

Hoje, uma médica que estava de plantão no Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Piúma, não foi capaz de atender uma idosa de 70 anos, que chegou ao Pronto Atendimento com sangramento no ouvido esquerdo. A médica responsável pelo atendimento teria informado a Leila Almeida Moreira de Souza, de 37 anos, residente no Balneário Aghá 2 e filha da aposentada Maria da Penha Caldeira Almeida Moreira, que não havia otoscópio disponível no hospital.

Para quem não conhece, o otoscópio é um instrumento médico de extrema importância, desenvolvido para diagnosticar doenças e infecções, sendo indicado principalmente para exames no ouvido interno ou externo, visando detectar anormalidades no tímpano e no canal auditivo.

Eu estava voltando de Presidente Kennedy quando recebi as mensagens de Leila. Inicialmente, pensei que fosse outra pessoa com o mesmo nome. Ela me relatou indignada a situação, e eu prometi que iria atrás de mais informações, pois aquela situação não poderia ocorrer.

Parei o carro no acostamento para enviar uma mensagem à subsecretária de Saúde, Cristina Roncati, ex-responsável técnica do Hospital. Perguntei imediatamente: “O Hospital não tem otoscópio?”

“_ O que eu vou fazer?”, teria perguntado a médica a Leila quando a paciente entrou no consultório.

“_ Infelizmente, não posso fazer nada, estou sem o otoscópio”, respondeu a médica.

Segundo Leila, a médica afirmou que não poderia atuar sem o equipamento necessário e, um pouco constrangida, foi ao consultório ao lado para tentar encontrar outro otoscópio.

Leila, sem opções, retrucou: “_ Então vou ter de voltar com a minha mãe com o ouvido sangrando?”

Ela deixou o consultório, foi à recepção e solicitou o prontuário, sendo orientada a protocolar um requerimento na Prefeitura.

“_ E eu voltei para casa com a minha mãe, de 70 anos, esquizofrênica, com o ouvido sangrando”, relatou Leila, visivelmente indignada.

Leila retornou ao Balneário do Aghá 2, preparou o almoço e, mais tarde, decidiu levar sua mãe até o Hospital Menino Jesus, em Itaipava.

“_ Eu estou revoltada. Muito chateada. Nunca imaginei que um médico pudesse agir dessa forma dentro de um consultório e de um hospital”, desabafou Leila.

A subsecretária foi informada da situação, que consideramos inadmissível e que jamais pode se repetir em um pronto-socorro, onde as pessoas buscam atendimento médico. Cristina Roncati confirmou que o Hospital possui otoscópio e vários espéculos disponíveis.

No final da tarde, a subsecretária me ligou e afirmou que a Secretaria de Saúde de Piúma notificará a empresa à qual a médica está vinculada, já que o ocorrido na quinta-feira, 13, não pode se repetir. Ela também pediu o número de telefone de Leila para entrar em contato e pedir desculpas pelo ocorrido.

A pergunta que fica: e se fosse a mãe da médica, uma filha ou uma irmã, ela teria dito que não podia fazer nada? Teria deixado a paciente voltar para casa sem atendimento e com sangramento no ouvido?

Precisamos urgentemente de empatia, respeito e amor ao próximo. Não adianta um diploma de medicina, especializações, mestrado ou doutorado se o profissional não estiver pronto para servir. E servir com respeito ao sofrimento do outro.

Que esta situação jamais se repita e que a Secretaria de Saúde tome providências imediatas.

Imagens: Divulgação

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Fonte do Conteudo: Luciana Máximo – www.espiritosantonoticias.com.br

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