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‘Inadequado’: Grupo Sendas critica projeto da FGV para imóvel desapropriado e diz que terreno tem lençol freático

A desapropriação foi realizada pelo município no fim do ano passado, por meio de hasta pública

Nada satisfeito com a decisão da Prefeitura do Rio de desapropriar seu imóvel da Rua Barão de Itambi, em Botafogo, o Grupo Sendas voltou a subir o tom das críticas ao projeto do centro tecnológico previsto para o local. Em nota enviada à imprensa, a empresa afirma que o terreno possui lençol freático, condição que, segundo a companhia, tornaria inadequada, sob o ponto de vista técnico, a instalação de estruturas subterrâneas previstas no espaço da Fundação Getúlio Vargas.

Proprietário do imóvel há mais de 50 anos, o grupo sustenta que a presença de água no subsolo inviabilizaria a implantação de áreas técnicas destinadas à geração de energia, infraestrutura considerada essencial para a operação de supercomputadores planejados no projeto acadêmico.

A desapropriação foi realizada pelo município no fim do ano passado, por meio de hasta pública, sob o argumento de promover a renovação urbana da região. A medida, no entanto, rapidamente se transformou em alvo de questionamentos judiciais e críticas de moradores do bairro, que inclusive marcaram uma manifestação em frente ao imóvel no último fim de semana.

Questionamentos técnicos ao projeto

Segundo o Grupo Sendas, além da presença de lençol freático, outro fator que levantaria dúvidas técnicas sobre o projeto é a proximidade do imóvel com o mar. Na avaliação da empresa, a maresia representaria risco para equipamentos sensíveis como supercomputadores. Na nota, o grupo afirma que a condição seria “altamente danosa”, podendo provocar corrosão e comprometer a integridade de equipamentos tecnológicos de grande porte.

A companhia também criticou duramente o processo de desapropriação, classificando como um “absurdo” e uma “contradição inaceitável” o fato de uma instituição de ensino voltada a áreas como gestão, ética, governança e compliance apoiar a utilização de um imóvel privado obtido por meio de desapropriação.

Imóvel estava em operação

Até novembro do ano passado, o prédio funcionava como unidade do Grupo Pão de Açúcar, último inquilino do espaço. O supermercado encerrou as atividades pouco antes da desapropriação. Segundo o Grupo Sendas, o fechamento da loja fazia parte de uma transição comercial. O imóvel, como foi noticiado em primeira mão pelo DIÁRIO DO RIO, já estaria em negociação avançada para ser ocupado pela rede Supermercados Mundial, que planejava instalar uma nova unidade no endereço.

Nos andares superiores, o prédio também não estava totalmente desocupado. Uma academia permanece em funcionamento no local, argumento utilizado por críticos da desapropriação para sustentar que o edifício não poderia ser enquadrado como imóvel ocioso.

Centro tecnológico da FGV

Apesar da controvérsia, a Fundação Getúlio Vargas já possui um projeto arquitetônico pronto para o endereço. A proposta prevê a construção de um edifício com seis pavimentos voltado a pesquisas avançadas, inovação tecnológica e produção de conhecimento.

No subsolo — justamente o ponto citado nas críticas do Grupo Sendas — estão previstas áreas técnicas com infraestrutura energética dimensionada para suportar a operação de supercomputadores. O térreo funcionaria como espaço de interface com o público, reunindo galeria de arte dedicada à inteligência artificial, café e biblioteca.

Prefeitura marca leilão

A desapropriação acabou desencadeando uma disputa judicial. O próprio Grupo Pão de Açúcar ingressou na Justiça questionando a legalidade da medida e a forma como o processo foi conduzido pelo município. Outra contestação partiu do vereador Pedro Duarte, que entrou com uma ação popular pedindo a suspensão do ato. O parlamentar é autor da lei municipal que autoriza a prefeitura a desapropriar e leiloar imóveis considerados sem uso.

Mesmo com a legalidade da desapropriação sendo discutida na Justiça, a prefeitura decidiu avançar com o processo. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento publicou no Diário Oficial desta sexta-feira (06/03) o edital que marca o leilão do prédio, agendado para o dia 31 de março, às quatro da tarde, no auditório da sede da Prefeitura, na Cidade Nova.

Fonte do Conteudo: Victor Serra – diariodorio.com

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