A pressão alta pode estar ligada a um mecanismo menos explorado do que os já conhecidos. Um estudo publicado na revista Communications Biology em 13 de agosto aponta que falhas na forma como o corpo encerra processos inflamatórios também podem contribuir para a hipertensão.
Tradicionalmente, o controle da pressão arterial se concentra em dois sistemas: o nervoso simpático, relacionado ao estresse, e os hormônios que regulam o volume de sangue e a contração dos vasos. Agora, o estudo aponta que o modo como o corpo encerra a inflamação também participa desse processo.
Papel da inflamação na pressão alta
A inflamação faz parte da defesa do organismo, mas, quando não é interrompida, pode acabar prejudicando vasos sanguíneos e órgãos.
Os pesquisadores analisaram vias biológicas responsáveis por “encerrar” a inflamação após uma resposta imune. Quando esse mecanismo falha, o corpo pode permanecer em estado de alerta, o que se relaciona com o aumento da pressão arterial. “Essas vias ajudam a sinalizar quando o sistema imunológico deve recuar”, explicam os autores no estudo.
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do Metrópoles Saúde e Ciência
Teste com composto experimental
A equipe também avaliou um composto experimental chamado 17b em testes com ratos. Diferente de anti-inflamatórios comuns, que reduzem a atividade do sistema imunológico de forma geral, o 17b atua estimulando os mecanismos naturais que encerram a inflamação.
Nos animais com hipertensão, o uso do composto levou a uma queda discreta da pressão arterial. Ao mesmo tempo, houve redução da rigidez da aorta e menor formação de fibrose no coração e nos rins. Os pesquisadores observaram ainda sinais de reparo nos tecidos afetados, o que sugere um efeito além do controle da pressão em si.
Possível uso futuro
Os resultados indicam que o alvo terapêutico pode ir além da redução dos números medidos no aparelho de pressão. Atuar diretamente nos danos causados pela inflamação pode ser uma estratégia complementar.
Apesar disso, o estudo foi feito apenas em animais e ainda não há evidências de que o mesmo efeito ocorra em humanos. Os autores afirmam que o composto não deve substituir os tratamentos atuais, mas pode ser estudado como alternativa ou complemento, especialmente em casos em que os medicamentos disponíveis não são suficientes.
A pesquisa também reforça a necessidade de investigar melhor como o organismo controla o fim da inflamação e como esse processo se relaciona com doenças cardiovasculares.
Fonte do Conteudo: Metrópoles – www.metropoles.com