
Em Ipanema, o problema realmente é outro. Com um dos metro-quadrados mais valiosos do Rio (algo que varia em torno dos R$ 22 mil), o bairro está dando adeus a um dos seus irmãos. Literalmente. A escritora Julia Michaels, que até 2010 curtia a paisagem dos dois morros lá de sua janela na Rua Prudente de Morais, agora só vê um. O outro sumiu atrás de um dos espigões que começam a modificar a paisagem do bairro.
Julia não gostou da surpresa e decidiu reagir. Anunciou que vai à Justiça pedir a redução do seu IPTU pela metade, já que, segundo ela, perdeu metade da vista. “Quero pagar metade do IPTU, já que perdi metade da vista, Eduardo Paes”, escreveu em tom de protesto no Instagram.

O caso reflete um movimento que vem mudando a cara do bairro, onde a especulação imobiliária tem levado à construção de prédios cada vez mais altos que, aos poucos, vão apagando os traços históricos e o charme da região. Até alguns anos, Ipanema mantinha um gabarito baixo, com construções seguindo uma legislação municipal mais rígida, que foi recentemente alterada (Lei Complementar nº 274/2024), que permitiu, entre outros pontos, a mudança da altura de prédios.
Hoje, são pelo menos quatro empreendimentos com mais de 20 andares. Um deles chegou a modificar o projeto original para amenizar o impacto na paisagem e obter a liberação da Prefeitura. Por isso, há quem comece a comparar o bairro a Balneário Camboriú, conhecido pelos prédios altos na orla que projetam sombras sobre a faixa de areia e o mar.
Fonte do Conteudo: Victor Serra – diariodorio.com