Justiça argentina adverte Cristina Kirchner e ameaça rever prisão domiciliar

A Justiça da Argentina emitiu uma advertência formal à ex-presidente Cristina Kirchner (2007-2015), nesta quarta-feira, 17, ao completar o primeiro de seus seis anos de prisão domiciliar por corrupção, devido às manifestações de apoio que ela recebe em frente à sua casa.

A Justiça lembrou que pode revogar a prisão domiciliar caso ela viole as condições estabelecidas ao “perturbar a tranquilidade da vizinhança”, após centenas de pessoas se reunirem em frente à sua casa sob o lema “Cristina livre” no domingo 14.

(Luis Robayo/AFP)

Apoio contínuo

A cena é comum desde que foi condenada, em uma sentença que a ex-mandatária atribui a uma “perseguição política”. Uma nova manifestação em apoio a Kirchner está marcada para o próximo sábado, 20; ela continua sendo a principal figura da oposição ao governo do presidente ultraliberal Javier Milei.

“Intima-se Cristina Kirchner para que, de agora em diante, abstenha-se de praticar condutas ou adotar comportamentos que possam implicar o descumprimento das diretrizes e condições sob as quais foi concedido e está sendo executado o regime domiciliar de cumprimento da pena de prisão que lhe foi imposta”, diz a decisão do juiz Rodrigo Giménez Uriburu.

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Multidão de pessoas com bandeiras azuis e brancas, algumas com o rosto de Eva Perón, em frente a um prédio branco iluminado por luzes azuis, com uma pessoa no balcão central. O céu está nublado A ex-presidente argentina (2007-2015) Cristina Kirchner aparece na varanda de sua casa enquanto permanece em prisão domiciliar em Buenos Aires, em meio a ato de apoiadores. 10/06/ 2026 -
A ex-presidente argentina (2007-2015) Cristina Kirchner aparece na varanda de sua casa enquanto permanece em prisão domiciliar em Buenos Aires, em meio a ato de apoiadores. 10/06/ 2026 – (Luis Robayo/AFP)
Multidão de pessoas em uma rua, com muitas bandeiras azuis e brancas, algumas com o sol da bandeira argentina. Há faixas penduradas em prédios, uma delas com SATSAID e outra com MOVIMIENTO SINDICAL LANUS CRISTINA. Guarda-chuvas abertos em azul e branco, e verde e branco, espalhados pela multidão. Um palco com luzes azuis está à direita, e um prédio branco com sacadas e janelas altas aparece no canto superior direito. Carros estacionados e árvores secas completam o cenário urbano Former Argentine president (2007–2015) Cristina Kirchner appears in the balcony of her home as she remains under house arrest in Buenos Aires on June 10, 2026. Argentine courts have issued a warning to former President Cristina Kirchner (2007–2015) as she marked the first of her six years of house arrest for corruption on June 17, 2026, due to the displays of support she is receiving outside her home. The courts reminded her that they may revoke her house arrest if she breaches the conditions set out by “disturbing the peace of the neighbourhood”, after hundreds of people gathered outside her home under the slogan “Free Cristina” on June 14, 2026.
Vista aérea da varanda da ex-presidente argentina (2007-2015) Cristina Kirchner, que recebe ato de apoiadores enquanto permanece em prisão domiciliar, em Buenos Aires. 10/06/ 2026 – (Luis Robayo/AFP)

A Justiça a repreendeu por sua suposta participação na instalação de uma enorme bandeira que uniu sua varanda, em um segundo andar da rua San José, na capital argentina, com um edifício vizinho, com a frase “De San José à Rosada”, em alusão à sede do governo.

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Segundo detalhes do documento citado pela imprensa local, atribui-se a ela ter colaborado na fixação da bandeira na varanda de onde costume cumprimentar seus seguidores.

Inelegibilidade e futuro do peronismo

Kirchner, de 73 anos, foi condenada em 17 de julho de 2025 a seis anos de prisão e à inelegibilidade perpétua para exercer cargos públicos por fraude na contratação de obras públicas durante seu mandato.

Sua inabilitação para ocupar cargos públicos abriu um debate dentro do peronismo. Sua liderança “já havia sido desafiada por vários governadores”, antes de sua condenação, disse o analista político Andrés Malamud à agência de notícias AFP. “Sua prisão acelerou não a sucessão, mas a fragmentação do peronismo”, acrescentou.

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O governador de Buenos Aires, Axel Kicillof, é a figura que emerge como possível novo líder do grupo.

Recentemente, a Câmara de Apelações rejeitou um pedido da defesa da ex-presidente para evitar o confisco milionário de seus bens.

Fonte do Conteudo: Amanda Péchy – veja.abril.com.br

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