Portas Abertas e lideranças evangélicas clamam por paz e proteção em meio aos bombardeios conjuntos lançados pelos EUA e por Israel contra o Irã, no Oriente Médio
Por Patricia Scott
Diante da grave tensão no Oriente Médio desencadeada pelos ataques lançados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã na manhã deste sábado (28), a organização cristã Portas Abertas, que monitora a situação da Igreja Perseguida no mundo, emitiu um pedido urgente de oração pela população afetada. As ofensivas militares marcaram o fracasso das negociações diplomáticas entre Teerã e Washington, que não resultaram em acordo.
A organização convocou os cristãos a intercederem especialmente pela população do Irã, da Palestina, de Síria, Jordânia, Iraque e do Líbano. “Oramos por paz nesses países, pedindo ao Senhor que proteja e fortaleça aqueles que vivem na região do conflito e que conceda sabedoria e discernimento aos líderes dessas nações”, disse a A Porta Abertas, que acrescentou que não é contra nenhuma nacionalidade, governo ou religião. “Somos pró-Jesus Cristo, a favor da paz e defendemos a Igreja Perseguida em todos os lugares”.
A Portas Abertas afirmou ainda que, apesar de ainda ser cedo para prever como a ofensiva evoluirá, há grande preocupação com a proteção de civis e com as comunidades cristãs locais em meio ao avanço dos combates. O grupo citou relatos de explosões em várias cidades iranianas na madrugada e destacou que o conflito já provocou pânico e medo entre a população civil, com evacuações e suspensão de atividades cotidianas.
Um especialista ligado à missão no Irã compartilhou sua visão pessoal: “Como iraniano e cristão, falo com o coração pesado. Não celebro a guerra nem ignoro o sofrimento que ela impõe às famílias no Irã, em Israel e em toda a região. Cada vida é preciosa para Deus”, afirmou. Ele disse ainda que sua oração é para que o momento não resulte em destruição, mas em “restauração da dignidade, esperança e paz”.
No Brasil, o pastor João Marcos Barreto Soares, diretor-executivo de Missões Mundiais da Convenção Batista Brasileira, também manifestou preocupação com a situação regional e pediu oração pelos missionários que atuam no Oriente Médio. Segundo ele, apesar da escalada do conflito, “nossos missionários na região estão todos bem, graças a Deus”.
Porém, reforçou a gravidade do cenário: “O cenário é altamente preocupante. Há indícios de que, desta vez, o conflito poderá ser maior e mais duradouro”, disse, alertando para o risco de um grande número de vítimas civis.
Soares conclamou a comunidade evangélica a intensificar a intercessão, pedindo que “orem pela paz na região. Clamem por segurança para aqueles que não estão envolvidos militarmente no conflito” e por “sabedoria para nossos missionários em todos os países da região e por ousadia no compartilhar o evangelho neste contexto desafiador”.
Crítica ao governando iraniano
Também nas redes sociais, o pastor e escritor Renato Vargens, da Igreja Cristã da Aliança em Niterói (RJ), criticou duramente o governo iraniano, classificando o regime como “diabólico”, afirmando que ele “trata mulheres como lixo, assassina homossexuais, extermina opositores e representa uma ameaça para o planeta”.
Vargens defendeu que “o mundo precisa se posicionar contra o regime dos aiatolás” e sugeriu que governos alinhados com Teerã estariam, na prática, apoiando uma ditadura, mencionando em tom crítico “o governo de um certo descondenado”, em referência a líderes políticos que, segundo ele, mantêm proximidade com o regime iraniano.
Ataque “preventivo”
Estados Unidos e Israel lançaram um ataque coordenado contra o Irã na manhã deste sábado (28). O presidente americano, Donald Trump, afirmou que “grandes operações de combate” estão em andamento, e a mídia estatal iraniana divulgou que seus líderes sofreram uma tentativa de assassinato, mas escaparam e passam bem. No entanto, Israel anunciou após explosões na capital, Teerã, que o ataque foi “preventivo”.
Segundo a Agência de Notícias da República Islâmica, 53 pessoas morreram após bombardeios terem atingido uma escola primária feminina no condado de Minab, na província de Hormozgan, no sul do Irã. Outras 48 pessoas teriam se ferido, afirmou o governador Mohammad Radmehr.
Depois de semanas de negociações, ontem, 27 de fevereiro, terminaram as conversas diplomáticas e pacíficas entre o Irã e os Estados Unidos. O Ministro da Defesa israelense, Israel Katz, declarou um “estado de emergência especial e imediato” em Israel. Os bombardeios que atingiram Teerã vieram de dois ataques até o momento. Bombas também foram ouvidas nas cidades de Isfahan e Qom. Tanto Irã quanto Israel fecharam seus espaços aéreos.
Fonte do Conteudo: Amanda Drumond – esbrasil.com.br