Lula cita reciprocidade aos EUA e diz que Brasil “não é pouca coisa”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta sexta-feira (14/8), que os Estados Unidos estão construindo “inverdades contra o Brasil”. O mandatário declarou ainda que fará valer a Lei de Reciprocidade para demonstrar que o país “não é pouca coisa”. A declaração foi dada em entrevista aos podcasts Não Inviabilize e As Cunhãs.

“Lamentavelmente eles estão construindo inverdades contra o Brasil. Nós ontem entramos com a lei de reciprocidade para a gente mostrar que a gente também não é pouca coisa. Nós nos respeitamos”, afirmou o presidente.

Lula destacou que vai “vencer os Estados Unidos na narrativa” e que o Brasil foi taxado baseado em uma mentira. “Agora sobretaxaram o Brasil falando que nós compramos coisa de trabalho escravo em outros países. É um ataque à China na verdade”.

Na ocasião, o petista afirmou que quer conversar com o presidente Donald Trump para pedir que ele “não se meta” nas eleições presidenciais. e destacou que tem um boa relação com o norte-americano mas que há setores da Casa Branca “atuando contra o Brasil”.

“Eu estou tentando falar com ele. Estou tentando manter o contato com ele que eu quero ter uma conversa tête-à-tête com ele. E vou dizer: não se meta nos negócios do Brasil, sobretudo na questão da eleição”, disse o presidente.

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do Metrópoles

 Lei da Reciprocidade

O governo brasileiro deu início, nessa quinta-feira (13/8), a um processo para avaliar a adoção de medidas de reciprocidade contra as tarifas impostas pelos EUA. Com isso, o Brasil solicitou a abertura de consultas diplomáticas com o governo norte-americano.

A abertura do processo, no entanto, não representa a aplicação imediata de novas tarifas pelo Brasil. Nesta primeira etapa, o governo pretende realizar consultas com Washington para tentar reduzir ou eliminar os efeitos das medidas norte-americanas e das eventuais contramedidas previstas na legislação brasileira.


Escalada tarifária

  • Em julho, os Estados Unidos aplicaram uma nova tarifa adicional de até 12,5% contra produtos de 60 países, incluindo o Brasil.
  • A medida foi adotada no âmbito de uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
  • Segundo Washington, os países atingidos não teriam mecanismos considerados suficientes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
  • O Brasil foi incluído na faixa mais alta da medida, com uma tarifa adicional de 12,5%.
  • A sobretaxa substituiu a alíquota global temporária de 10% que vinha sendo aplicada desde fevereiro.
  • A nova cobrança se somou a outra sobretaxa de 25% imposta anteriormente pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras.
  • Com as duas medidas, determinados produtos brasileiros passaram a enfrentar sobretaxas de até 37,5% para entrar no mercado norte-americano.
  • O governo brasileiro contestou a acusação relacionada ao trabalho forçado.
  • Em manifestação enviada ao USTR em junho, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o país possui normas internas e compromissos internacionais destinados a combater o trabalho forçado e impedir a entrada de produtos fabricados nessas condições.

Fonte do Conteudo: Metrópoles – www.metropoles.com

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