A nova pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira (28), mostra Lula (PT) com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 34% de Flávio Bolsonaro (PL). Em relação ao levantamento anterior, divulgado em 21 de setembro, o petista oscilou de 37% para 39%, enquanto o senador passou de 33% para 34%. A diferença entre os dois, agora de cinco pontos, permanece dentro de uma disputa marcada por oscilações na reta final. No segundo turno, a distância desaparece: Lula e Flávio aparecem com 42% cada.
Mais do que a variação no cenário geral, entretanto, os recortes por religião ajudam a compreender a fotografia desta última semana. Entre os católicos, Lula passou de 43% para 48%, enquanto Flávio oscilou de 27% para 29%. Entre os evangélicos, o movimento foi inverso: Lula avançou de 23% para 27%, e Flávio recuou de 49% para 46%. As margens de erro são maiores nesses segmentos, de três pontos entre católicos e quatro entre evangélicos, razão pela qual os números devem ser lidos como tendências e não como uma explicação definitiva para o comportamento do eleitorado.
No eventual segundo turno, Flávio continua à frente entre os evangélicos, mas a diferença diminuiu. Ele aparece com 54%, contra 30% de Lula. Na pesquisa anterior, eram 58% para o candidato do PL e 28% para o petista. Ou seja, houve uma redução de quatro pontos na vantagem de Flávio e um avanço de dois pontos de Lula nesse segmento. Entre católicos, Lula aparece com 50%, contra 37% de Flávio.
Pesquisas após novas polêmicas
A nova rodada foi realizada entre 24 e 27 de setembro, justamente quando a campanha passou a ser atravessada por uma sucessão de temas com forte conteúdo religioso e social. Um deles foi a controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida. Circulou nas redes a informação falsa de que Flávio Bolsonaro pretendia retirar da santa o título de Padroeira do Brasil. O candidato negou a intenção, e a origem da controvérsia foi relacionada a um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado Victorio Galli, arquivado em 2008, que propunha alterar a forma como o título era utilizado. Não há evidência de que Flávio tenha apresentado ou defendido essa proposta.
O episódio ganhou dimensão institucional. Na sexta-feira (25), o ministro André Mendonça, então no Tribunal Superior Eleitoral, determinou a retirada de publicações relacionadas ao conteúdo considerado falso. No domingo (27), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou o restabelecimento de uma das publicações e de conteúdos semelhantes, sob argumentos relacionados à liberdade de expressão e religiosa. Nesta segunda-feira, Dino decidiu levar sua decisão ao plenário do STF. A disputa jurídica ocorreu praticamente dentro do mesmo período em que a Quaest realizou suas entrevistas.
Outro tema que entrou na reta final foi o combate às bets. Na sexta-feira (25), Lula anunciou medidas para proibir a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa, incluindo apostas esportivas e jogos de cassino on-line. Na pesquisa, 62% dos entrevistados disseram apoiar a proibição das bets, considerando tanto os que já conheciam a medida quanto aqueles que não a conheciam, mas declararam apoiá-la. A pauta tem especial importância social porque ultrapassa a discussão eleitoral e alcança endividamento, família e saúde pública.
Também apareceu na campanha o caso Daniel Vorcaro. No domingo (27), o presidente do TSE, ministro Nunes Marques, determinou a suspensão de um jingle da campanha de Lula que associava Flávio Bolsonaro ao empresário e a outros episódios. Na decisão, o ministro afirmou que a peça apresentava acusações em bloco e de maneira categórica, sem ressalvas quanto à origem das informações, ao estágio das apurações ou à existência de conclusão definitiva. O caso se somou à sucessão de disputas judiciais que marcaram os últimos dias da campanha.
É justamente nesse ponto que a pesquisa exige cautela. O campo da Quaest coincidiu com a repercussão desses acontecimentos, mas os números não permitem afirmar que a polêmica envolvendo Nossa Senhora tenha provocado a redução de Flávio entre evangélicos ou que a proibição das bets tenha produzido o crescimento de Lula. O próprio recorte religioso precisa ser interpretado dentro da margem de erro. O que os dados mostram objetivamente é que Lula cresceu quatro pontos entre evangélicos no primeiro turno, enquanto Flávio caiu três, e que a vantagem do senador no segundo turno nesse segmento diminuiu de 30 para 24 pontos.
Lula tem maior apoio do eleitorado feminino
A pesquisa também registra movimentos fora da religião. Entre as mulheres, Lula passou de 37% para 40%, enquanto Flávio caiu de 32% para 29%. Entre os homens, ocorreu o movimento contrário: Lula foi de 39% para 37%, enquanto Flávio avançou de 34% para 39%. Entre eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos, Lula passou de 49% para 52%, mantendo ampla vantagem sobre Flávio, que permaneceu em 23%. O levantamento também apontou aprovação de 59% ao reajuste do Bolsa Família e de 62% à proibição das bets.
A fotografia final da Quaest, portanto, mostra uma eleição que chega à última semana com dois fenômenos simultâneos: Lula amplia sua vantagem no primeiro turno, enquanto o segundo turno permanece numericamente empatado. No eleitorado evangélico, Flávio ainda lidera com folga, mas a diferença diminuiu em relação à semana anterior.
Os números da Quaest desta segunda-feira (28):
| Candidato | Quaest 21/9 | Quaest 28/9 | Variação |
|---|---|---|---|
| Lula (PT) | 37% | 39% | +2 |
| Flávio Bolsonaro (PL) | 33% | 34% | +1 |
| Augusto Cury (Avante) | 4% | 4% | = |
| Ronaldo Caiado (PSD) | 4% | 4% | = |
| Renan Santos (Missão) | 3% | 3% | = |
| Romeu Zema (Novo) | 2% | 1% | -1 |
| Outros | 1% | 0% | -1 |
| Branco/nulo/não votaria | 10% | 10% | = |
| Indecisos | 6% | 5% | -1 |
Segundo turno
Lula x Flávio Bolsonaro
– Lula: 42%
– Flávio Bolsonaro: 42%
O eleitor evangélico
Primeiro turno
– Lula: 27%
– Flávio Bolsonaro: 46%
Segundo turno
– Flávio Bolsonaro: 54%
– Lula: 30%
O eleitor católico
Primeiro turno
– Lula: 48%
– Flávio Bolsonaro: 29%
Segundo turno
– Lula: 50%
– Flávio: 37%
Mulheres e homens
Mulheres
– Lula: 40%
– Flávio: 29%
Homens
– Lula: 37%
– Flávio: 39%
Renda
Entre eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos:
– Lula: 52%
– Flávio: 23%
Bets
A pesquisa também perguntou sobre a proposta de proibição das bets.
62% disseram ser favoráveis à proibição.
Aprovação do governo
– Aprovam: 47%
– Desaprovam: 49%
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Fonte do Conteudo: Cristiano Stefenoni – esbrasil.com.br