Marco Nanini volta aos palcos do Rio a partir de 20 de agosto com “Fim de Partida”, clássico do dramaturgo irlandês Samuel Beckett. A montagem chega ao Teatro TotalEnergies, na Glória, depois de uma temporada em São Paulo com sessões esgotadas.
O elenco reúne ainda Guilherme Weber, Helena Ignez e Ary França, sob direção de Rodrigo Portella. A produção é de Fernando Libonati, da Pequena Central de Produções, parceiro de Nanini há três décadas.
Escrita nos anos 1950, sob o impacto da Segunda Guerra Mundial, a peça acompanha Hamm, interpretado por Nanini, e Clov, vivido por Guilherme Weber. Os dois estão presos a uma relação de dependência física e emocional em um ambiente fechado, onde convivem com jogos de poder, repetições e uma espera que parece não chegar a lugar algum.
Nanini conta que já pensava em montar uma obra de Beckett quando recebeu de Weber a proposta para que os dois voltassem a dividir o palco.
“Costumo dizer que Beckett fica orbitando a cabeça dos atores contemporâneos, pois oferece um imenso desafio com os múltiplos caminhos que a sua obra permite”, afirma Marco Nanini.
Os dois atores já trabalharam juntos em montagens como “Os Solitários”, em 2002, e “A Morte do Caixeiro Viajante”, em 2004.
Para completar o elenco, Nanini reencontra Helena Ignez, com quem contracenou no início da carreira, e Ary França, parceiro no espetáculo “O Burguês Ridículo”, de 1996.
Rodrigo Portella vê três leituras para a peça
Responsável pela direção, Rodrigo Portella chega ao projeto depois de trabalhos como “Tom na Fazenda”, “Ficções”, “Um Ensaio sobre a Cegueira” e “Ray”.
Para o diretor, “Fim de Partida” pode ser lida a partir de três camadas. A primeira está na relação entre Hamm e Clov. A segunda passa pela política e pelas relações de poder.
“O primeiro seria a relação simbiótica entre Hamm e Clov, mas numa segunda camada a peça pode ser lida como uma alegoria política. Hamm surge como um déspota, um tirano arbitrário, figura que alude à lógica da guerra e do militarismo, cuja autoridade se funda no poder bélico e opressivo”, explica Rodrigo Portella.
Segundo ele, Clov ocupa a posição oposta.
“Clov é o corpo submisso, o soldado em vigília permanente, sempre de pé, incapaz de repouso, a serviço de uma engrenagem que não faz nenhum sentido. A cena torna-se, assim, um campo de poder em ruínas”, diz o diretor.
A terceira camada está no próprio teatro. A cenografia de Daniela Thomas cria uma espécie de palco dentro do palco, reforçando a metalinguagem presente no texto de Beckett.
“Clov é o clown, o operador da cena, o ridículo, enquanto Hamm assume a figura do ator principal, o narrador canastrão que se sustenta na fabulação de si mesmo. O teatro se dobra sobre ele próprio: há um teatro dentro do teatro, um palco dentro do palco”, resume Rodrigo Portella.
A equipe criativa também conta com Beto Bruel, na iluminação; Federico Puppi, na trilha original e direção musical; Antonio Guedes, no figurino; e Fernando Libonati, na produção.
Serviço
Fim de Partida
Local: Teatro TotalEnergies – Rua do Russel, 804, Glória
Temporada: de 20 de agosto a 27 de setembro
Quintas e sextas: 20h
Sábados: 19h
Domingos: 17h
Duração: 90 minutos
Classificação: 16 anos
Ingressos: de R$ 25 a R$ 160
Vendas: Ingresso.com
Fonte do Conteudo: Quintino Gomes Freire – diariodorio.com
