Não chegar ao sono profundo aumenta risco de Alzheimer, diz estudo

A privação de sono, especialmente com a redução do descanso profundo, aumenta o risco de desenvolvimento de Alzheimer. A conclusão é fruto de uma pesquisa feita nos Estados Unidos e que associou dormir mal à atrofia do cérebro e ao risco aumentado de demência.

Os cientistas descobriram que não alcançar a fase REM do sono, associada aos sonhos e ao descanso mais profundo, leva à atrofia do hipocampo e das regiões entorrinal e parietal inferior do cérebro, zonas que são conhecidas como as mais vulneráveis ao Alzheimer, já que os acúmulos de proteínas tóxicas nelas leva à progressão mais rápida da demência.

“Nossos resultados fornecem evidências preliminares de que a redução da neuroatividade durante o sono pode contribuir para a atrofia cerebral, aumentando potencialmente o risco de Alzheimer”, disse o neurocientista Gawon Cho, da Universidade de Yale, nos EUA, autor principal da investigação.

O estudo publicado em junho pela American Academy of Sleep Medicine contou com a participação de 270 voluntários para a coleta de dados de saúde. Eles tiveram as noites de sono monitoradas e foram acompanhados ao longo de 13 anos para a avaliação dos impactos na saúde cerebral.

Uma limitação da pesquisa, porém, é que ela foi realizada apenas com pessoas brancas e a maioria delas tinha mais de 16 anos de educação formal, o que pode afetar os dados de memória obtidos.

Quando o assunto é qualidade do sono, é necessário implementar uma rotina saudável que garanta uma boa noite de descanso. Muitas vezes, a dificuldade para dormir ou acordar cedo, por exemplo, está relacionada aos hábitos cotidianos que devem ser corrigidos
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Uma noite de sono mal dormida interfere diretamente no humor e no desempenho das atividades do dia seguinte. Além disso, os níveis de irritabilidade, ansiedade e estresse podem aumentar significativamente
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Estudos mostram que o tempo ideal de horas de sono varia para cada pessoa, mas a média mundial é de seis a oito horas por noite. Durante o sono profundo, ocorre a liberação de hormônios importantes para a regulação do organismo
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Muitas pessoas têm sono ruim e nem percebem isso. Na dúvida, que tal adotar algumas técnicas conhecidas como "higiene do sono"?
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1. Crie uma rotina: procure deitar e levantar nos mesmos horários todos os dias, mesmo nos feriados e fins de semana
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2. Durma um pouco mais cedo a cada dia: aproveite o período próximo ao fim das férias para dormir cerca de 30 minutos antes do horário que estava acostumado a ir para a cama a cada dia, até chegar no horário ideal
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3. Levante-se se não conseguir dormir: saia da cama se tiver dificuldade de adormecer. Faça algo relaxante como respirar fundo, ouvir música suave ou ler um livro. Recomenda-se não ligar a televisão ou mexer no celular. Só retorne para a cama quando estiver sonolento
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4. Cama é para dormir: nunca use a cama para estudar, ler, ver TV, ficar no computador ou no celular. O corpo precisa entender que aquele é um ambiente de relaxamento
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5. Mantenha o quarto escuro: ter um quarto completamente escuro, sem luminosidade externa ou luzes de aparelhos eletrônicos facilita o sono
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6. Evite cochilos: limite cochilos diurnos a menos de uma hora de duração e até as 15h, para não prejudicar o sono da noite
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7. Evite alimentos e bebidas estimulantes entre quatro e seis horas antes de deitar. Na lista entram energético, chocolate, café, refrigerantes, chás do tipo preto, verde, mate e chimarrão
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8. Evite fazer exercícios físicos de alta intensidade nas três horas antes do horário programado para deitar. Eles podem deixar a pessoa muito alerta e atrapalhar o sono
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9. Diminua o ritmo: separe de 15 a 30 minutos antes de deitar para relaxar e diminuir o ritmo. Desligar-se de estímulos externos ajuda a sinalizar o cérebro de que é hora de dormir
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10. Evite bebidas alcoólicas e cigarro: eles também prejudicam o padrão do sono
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Alterações estruturais no cérebro e sono

O tempo médio de sono de ondas lentas foi de 17,4%, enquanto o de sono REM de 21,5% do tempo dormido. O grupo com menos ondas lentas foi associado a volumes menores do cérebro, com uma diferença de 44,18 milímetros cúbicos de atrofia na região parietal inferior para cada ponto percentual a menos de repouso profundo.

A mesma região parietal apresentou perda de 75,4 milímetros cúbicos por cada ponto percentual de sono REM reduzido.

O índice de despertares não apresentou associação aos volumes das regiões vulneráveis à doença de Alzheimer nos testes realizados. Nenhuma das variáveis de descanso foi associada a micro hemorragias cerebrais ou micro hemorragias lobares neste grupo estudado.

Os autores destacam que assim como a insônia traz impactos aumentando o risco doença de Alzheimer, melhorar o sono parece oferecer benefícios em igual proporção através da melhora nos hábitos de descanso, como manter uma rotina de horários, uma temperatura amena, evitar o uso de telas e de bebidas estimulantes nas horas anteriores a dormir.

“O repouso pode ser um fator de risco modificável para o Alzheimer e demências relacionadas, o que representa uma oportunidade para explorar intervenções que reduzam o risco ou retardem o início da doença”, conclui Cho.

Fonte do Conteudo: Metrópoles – www.metropoles.com

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