Nas férias, organização pode ajudar a convencer o cérebro a relaxar

Entrar de férias nem sempre significa descansar de verdade. Para muita gente, o corpo até sai do trabalho, mas a cabeça continua presa às mensagens, pendências, e-mails e preocupações que ficaram para trás. Na prática, o cérebro não entende automaticamente que a rotina mudou. Mas, como é possível ativar o “modo férias”?

Segundo a psicóloga clínica Fernanda Mendes, de Santa Catarina, a dificuldade é ainda maior para pessoas que empreendem, são donas do próprio negócio ou usam intensamente a mente para resolver tarefas ao longo do dia. “O corpo pode parar, mas sua mente continua ativa e em alerta”, explica.

O descanso começa antes da viagem

Para ativar o “modo férias”, o primeiro passo deve acontecer antes mesmo do início do descanso. Fernanda orienta criar um ritual de fechamento: escrever o que já foi feito, listar pendências, definir prioridades para o retorno e deixar registrado o primeiro passo a ser tomado quando a rotina recomeçar.

A ideia é tirar da cabeça a obrigação de lembrar tudo. Quando as tarefas ficam registradas, o cérebro tende a interpretar que há um plano e que ele não precisa permanecer em estado de alerta o tempo todo.

Também ajuda desligar notificações profissionais, guardar o notebook e reduzir o acesso a aplicativos de trabalho. Cada vez que a pessoa checa uma mensagem ou um e-mail, o cérebro recebe o sinal de que ainda precisa estar disponível.

O cérebro precisa de tempo para entender que as férias começaram

A culpa do descanso

A psicóloga Maria Julia Garcia, especialista em terapia relacional, afirma que a culpa durante o descanso não deve ser vista apenas como uma questão individual. Segundo ela, muitas pessoas crescem em famílias e ambientes que associam valor pessoal a esforço, produtividade e desempenho.

Na vida adulta, a pausa pode ser interpretada como preguiça ou irresponsabilidade, mesmo quando é necessária. Nas férias, a pessoa pode até estar longe do trabalho, mas continua sentindo que deveria estar fazendo algo útil.

Maria Julia explica que a cultura da produtividade constante também pesa. Redes sociais, comparação e cobrança por uma vida sempre eficiente podem transformar o período de descanso em mais uma lista de tarefas. Com isso, as férias deixam de ser uma pausa e passam a ser vividas com ansiedade, controle e autocobrança.

Planejar demais também cansa

Ter uma programação pode ajudar, mas planejar cada minuto das férias pode gerar o efeito contrário. Quando tudo vira obrigação, o lazer perde espaço para a cobrança.

A recomendação é manter flexibilidade. Vale organizar passeios, encontros e atividades prazerosas, desde que exista espaço para mudar planos, descansar sem culpa e simplesmente não fazer nada.

O descanso real costuma aparecer em sinais simples: mais disposição, menos irritabilidade, melhora do sono, maior presença nas relações e sensação de recuperação física e mental. Quando a pessoa apenas troca uma fonte de estresse por outra, permanecem a urgência, o cansaço, a necessidade de controle e a dificuldade de aproveitar o momento.


O que fazer para ativar o “modo férias”

  • Faça uma lista antes de sair: anote pendências, prioridades e o que deve ser resolvido apenas no retorno.
  • Desligue alertas de trabalho: silencie notificações, guarde o notebook e dificulte o acesso automático a e-mails e mensagens profissionais.
  • Crie uma quebra de rotina: faça algo diferente logo no primeiro dia, como caminhar, tomar café com calma, passear ou iniciar uma atividade prazerosa.
  • Pratique atenção plena por cinco minutos: durante uma refeição, caminhada ou paisagem, observe sons, cheiros, sensações e detalhes do ambiente.
  • Use a respiração para desacelerar: inspire pelo nariz por quatro segundos, segure por quatro segundos e expire lentamente por seis a oito segundos.
  • Reduza o celular por períodos do dia: troque checagens automáticas por atividades ao ar livre, conversas, leitura leve ou descanso sem tela.

Foto colorida de mulher deitada em espreguiçadeira lendo um livro frente ao mar - Metrópoles.
Aprender como desacelerar, também faz parte do descanso das férias, segundo especialistas

Pausas pequenas protegem o descanso maior

Para Fernanda, os rituais de desconexão não devem existir apenas nas férias. Pausas diárias de 15 minutos, sem tarefas profissionais, ajudam o corpo e a mente a não acumularem tensão ao longo do ano. Pode ser tomar um café com calma, ler algo leve ou simplesmente ficar sem fazer nada.

A ausência prolongada de férias adequadas pode favorecer irritabilidade, alterações do sono, dificuldade de concentração, ansiedade, exaustão emocional e conflitos nas relações. Em quadros persistentes, pode haver risco de esgotamento relacionado ao trabalho.

Por isso, descansar não deve ser tratado como prêmio, mas como parte da manutenção da saúde. As férias funcionam melhor quando a pessoa entende que parar também é uma forma de cuidado — e que voltar recuperada depende de permitir que a mente, o corpo e a rotina realmente mudem de ritmo.

Fonte do Conteudo: Metrópoles – www.metropoles.com

VEJA MAIS

Com folga nesta quinta, Seleção Brasileira tem programação definida

A Confederação Brasileira de Futebol divulgou, nesta quinta-feira (25/6), a programação da delegação do Brasil…

Foragido por crime Ceará é preso no DF após ser flagrado em São Sebastião

Um homem, de 35 anos, foi preso nesta quarta-feira (24/6), após ter dois mandados de…

Receita passa a publicar lista de devedores contumazes

A Receita Federal divulgou a primeira lista de contribuintes classificados como devedores contumazes, após a…