As sequelas de um acidente vascular cerebral (AVC) podem alterar de forma significativa a rotina do paciente e da família. Mesmo após a fase aguda, é comum que permaneçam limitações físicas, cognitivas ou emocionais, que exigem reabilitação e acompanhamento médico ao longo da vida.
A gravidade dessas sequelas depende, principalmente, da área do cérebro atingida e da rapidez no atendimento. Segundo as Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com AVC, do Ministério da Saúde, o derrame está entre as principais causas de incapacidade no Brasil.
Muitas limitações não aparecem apenas no momento do evento, mas se consolidam nas semanas e meses seguintes, à medida que o cérebro tenta se reorganizar após a lesão. O neurologista Jaderson Costa alerta que os impactos do AVC vão além das sequelas visíveis.
“As alterações mentais após o AVC são frequentemente ignoradas, mas podem comprometer a memória, a atenção, o comportamento e a capacidade de tomar decisões, afetando diretamente a autonomia do paciente”, explica.
Já a neurologista Sheila Martins, presidente da Rede Brasil AVC, detalha que as sequelas mais comuns incluem perda de força — geralmente de um lado do corpo —, acometendo rosto, braço e perna. “Também são frequentes a dificuldade para falar, a fala enrolada ou a falta de palavras, além da dificuldade para compreender a fala”, afirma.
Sequelas mais comuns após um AVC
- Fraqueza ou paralisia de um lado do corpo.
- Boca torta e dificuldade para mover braço ou perna.
- Alterações na fala e na compreensão.
- Problemas de equilíbrio e dificuldade para caminhar.
- Alterações visuais.
- Dormência em metade do corpo.
- Déficits de memória e tomada de decisões.
- Mudanças emocionais.
Sheila ensina que o tipo de sequela está mais relacionado à região do cérebro afetada do que ao tipo de AVC. “Tanto no AVC isquêmico quanto no hemorrágico, é a área atingida que define o tipo de déficit”, explica.
A especialista ressalta ainda que a dor de cabeça intensa é um sintoma da fase aguda, mais comum no AVC hemorrágico, e não uma sequela. Nem todas as limitações são permanentes.
Os déficits motores, de fala e de memória podem melhorar com o tempo ou podem ser definitivos. “A maior chance de sequelas permanentes ocorre quando o paciente não recebe tratamento adequado na fase de urgência”, afirma a neurologista.

O acidente vascular cerebral, também conhecido como AVC ou derrame cerebral, é a interrupção do fluxo de sangue para alguma região do cérebro
Agência Brasil

O acidente pode ocorrer por diversos motivos, como acúmulos de placas de gordura ou formação de um coágulo – que dão origem ao AVC isquêmico –, sangramento por pressão alta e até ruptura de um aneurisma – causando o AVC hemorrágico
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Muitos sintomas são comuns aos acidentes vasculares isquêmicos e hemorrágicos, como: dor de cabeça muito forte, fraqueza ou dormência em alguma parte do corpo, paralisia e perda súbita da fala
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O derrame cerebral não tem cura, entretanto, pode ser prevenido em grande parte dos casos. Quando isso acontece, é possível investir em tratamentos para melhora do quadro e em reabilitação para diminuir o risco de sequelas
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Na maioria das vezes, acontece em pessoas acima dos 50 anos, entretanto, também é possível acometer jovens. A doença pode acontecer devido a cinco principais causas
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Tabagismo e má alimentação: é importante adotar uma dieta mais saudável, rica em vegetais, frutas e carne magra, além de praticar atividade física pelo menos 3 vezes na semana e não fumar
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Pressão alta, colesterol e diabetes: deve-se controlar adequadamente essas doenças, além de adotar hábitos de vida saudáveis para diminuir seus efeitos negativos sobre o corpo, uma vez que podem desencadear o AVC
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Defeitos no coração ou vasos sanguíneos: essas alterações podem ser detectadas em consultas de rotina e, caso sejam identificadas, devem ser acompanhadas. Em algumas pessoas, pode ser necessário o uso de medicamentos, como anticoagulantes
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Drogas ilícitas: o recomendado é buscar ajuda de um centro especializado em drogas para que se possa fazer o processo de desintoxicação e, assim, melhorar a qualidade de vida do paciente, diminuindo as chances de AVC
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Aumento da coagulação do sangue: doenças como o lúpus, anemia falciforme ou trombofilias; doenças que inflamam os vasos sanguíneos, como vasculites; ou espasmos cerebrais, que impedem o fluxo de sangue, devem ser investigados
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No AVC isquêmico — responsável por cerca de 80% a 85% dos casos —, tratamentos como trombólise e trombectomia aumentam significativamente as chances de recuperação quando realizados rapidamente. A reabilitação deve começar ainda no hospital. “Entre 24 e 48 horas após o AVC, o paciente precisa ser avaliado para identificar suas necessidades”, diz Sheila.
A fonoaudiologia deve atuar precocemente na avaliação da deglutição e da linguagem, enquanto a fisioterapia, a terapia ocupacional e a reabilitação cognitiva entram conforme a estabilização clínica.
Após a alta, o acompanhamento neurológico é contínuo. “Mesmo que o paciente tenha recuperação completa, é fundamental manter o controle rigoroso da pressão, do colesterol e da diabetes”, orienta.
Em um contexto geral, o uso correto de medicamentos associado à mudança no estilo de vida permite prevenir cerca de 80% a 90% dos casos de AVC recorrente, garantindo mais qualidade de vida no longo prazo.
Fonte do Conteudo: Metrópoles – www.metropoles.com