O papel do Economista na construção do desenvolvimento econômico

Em agosto, celebramos mais do que uma data no calendário. Celebramos uma profissão que, ao longo de décadas, tem contribuído para compreender as transformações da sociedade, orientar decisões e construir caminhos para o desenvolvimento econômico. Em 2026, a regulamentação da profissão de Economista completa 75 anos, uma trajetória que se confunde, em muitos momentos, com a própria história econômica recente do Brasil.

A Economia está presente em praticamente todas as dimensões da vida em sociedade. Está nas decisões das famílias sobre consumo e poupança, nas escolhas das empresas sobre investimentos e geração de empregos e nas políticas públicas que definem prioridades para saúde, educação, infraestrutura e proteção social. Por trás de muitas dessas decisões está o trabalho do Economista, profissional preparado para interpretar cenários, analisar dados, avaliar riscos e, sobretudo, compreender as consequências das escolhas que fazemos diante de recursos que são, por natureza, limitados.

Em um mundo cada vez mais complexo, essa atuação torna-se ainda mais necessária. Inflação, juros, endividamento das famílias, equilíbrio das contas públicas, crescimento econômico, desigualdade, mudanças tecnológicas, transição energética, transformações no mercado de trabalho e sustentabilidade são apenas alguns dos desafios que exigem análise qualificada. Mais do que projetar números, cabe ao Economista entender o que eles representam para a vida das pessoas.

No Espírito Santo, temos muitos motivos para reconhecer essa contribuição. Economistas capixabas estão presentes nas universidades, empresas, instituições financeiras, órgãos públicos, entidades de classe, consultorias e organizações da sociedade, participando diretamente do planejamento e do desenvolvimento do nosso Estado. São profissionais que produzem conhecimento, formam novas gerações, auxiliam empresas em suas decisões, colaboram na formulação de políticas públicas e ajudam a pensar o Espírito Santo de hoje e, principalmente, o que queremos construir para o futuro.

Foi com esse espírito que realizamos, na última semana, o XXXI Prêmio Espírito Santo de Economia, uma das mais importantes iniciativas do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo. Ao reconhecer trabalhos acadêmicos e profissionais, o Prêmio valoriza a produção de conhecimento e estimula estudantes e Economistas a contribuírem para o debate sobre os grandes desafios econômicos e sociais do nosso tempo.

A celebração ganhou significado ainda maior por ocorrer no ano em que o Corecon-ES completa 51 anos de história. São mais de cinco décadas dedicadas à valorização profissional, à fiscalização do exercício da profissão, à aproximação com as instituições de ensino e, especialmente, à defesa da presença do Economista nos espaços em que são discutidos os caminhos do desenvolvimento capixaba.

Um Conselho profissional, entretanto, não é construído por uma pessoa ou por uma gestão. Ele é resultado do trabalho daqueles que vieram antes, dos que hoje dedicam parte de seu tempo à instituição e daqueles que ainda virão. Presidentes, conselheiros, funcionários, colaboradores, professores, estudantes e Economistas ajudaram a escrever os 51 anos do Corecon-ES. Reconhecer essa história também significa assumir a responsabilidade de continuar fortalecendo a instituição para as próximas gerações.

Celebrar os 75 anos de regulamentação da profissão é, portanto, olhar para o passado com reconhecimento, mas também para o futuro com responsabilidade. O Brasil continuará enfrentando escolhas difíceis e novos desafios econômicos. O Espírito Santo também. Precisaremos discutir produtividade, inovação, equilíbrio fiscal, redução das desigualdades, geração de oportunidades e desenvolvimento sustentável.

E, em todos esses debates, haverá espaço e necessidade para o olhar do Economista. Porque desenvolver uma sociedade exige fazer escolhas. E fazer boas escolhas exige conhecimento, análise, responsabilidade e capacidade de compreender que, por trás de cada indicador econômico, existem empresas, trabalhadores, famílias e pessoas.

É essa dimensão que torna a Economia tão necessária. E é ela que continuará dando sentido à nossa profissão nos próximos 75 anos.

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Ricardo Paixão

  • Economista
  • Presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES)
  • Doutorando em Educação – UFES
  • Professor efetivo da Faculdade Municipal de Linhares-ES – FACELI

Fonte do Conteudo: Coluna de Economia – eshoje.com.br

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