O speakeasy que saiu do armário: Blue Blazer aposta menos no mistério e mais na experiência

Blue Blazer_Lelo Forti_ Foto divulgac?a?o

Há quem diga que o charme de um speakeasy está no segredo. Naquela portinha discreta, no interfone que ninguém atende na primeira tentativa, no prazer de se sentir parte de um clube que o Google Maps ainda não descobriu. Pois o Blue Blazer, em Botafogo, resolveu modernizar o conceito: o segredo agora tem placa. Sim, placa. Com o nome do lugar. Na fachada. Nada contra — afinal, Botafogo já tem mistérios demais (como estacionar).

Feita a provocação, vamos ao que interessa: o ambiente é, sim, convidativo. Iluminação na medida, bancos confortáveis, clima de encontro que pede uma segunda taça. E o que vem nela é, em geral, muito bem executado. Lelo Forti, o professor de coquetelaria que formou metade dos barmen que você aplaude por aí, continua atrás do balcão; ou melhor, comanda a sala de aula. Pedir algo pelo menu confiance é quase uma tese de doutorado em acertos. No meu caso, veio com tequila, veio certeiro.

A coquetelaria segue sendo a protagonista e a nova carta “Portas Etílicas”, assinada com Fran Medeiros e Laura Paravato, tem títulos de novela das seis e personalidade de sobra. O Dona Flor Não Tem Marido (tequila, mel, frutas vermelhas) é doce na medida exata do pecado. O Maní, de Laura, com vodka, licor de tucupi e hidromel de jataí, é daqueles que você não esquece, mesmo que tente.

Mas o que me pegou mesmo foi a comida. Porque, convenhamos, bar que inventa de servir comidinha de amor muitas vezes entrega ódio congelado. Aqui não. A cozinha agora é comandada por Tânia Caus (passagens pelo Miam Miam e Za Za — currículo que não se discute), e o cardápio cresceu sem fazer feio.

O carro-chefe dos pedidos é a Fornatta de Parma (R$ 40), massa de pão de queijo, molho de tomate da casa, mussarela de búfala, presunto de Parma, rúcula e mel trufado. A história de criação, segundo Lelo, foi numa larica de 3h da manhã, “doidão”, com só queijo e presunto em casa. Pois que a larica alheia nos presenteie sempre assim. É, de fato, o mais pedido e faz jus à fama.

Mas o que me surpreendeu de verdade foi a Burrata no modelo clássico (R$ 65). Serve dois, o pesto é daqueles que daria para engarrafar e vender na porta. Se você não pedir, cometerá um erro grave. O sanduíche de carne assada (R$ 58) vem logo atrás no pódio das encomendas. Justo. E o hot dog francês dentro de croissant com mostarda Dijon (R$ 58) é aquele tipo de heresia gastronômica que funciona. Vale.

O ceviche clássico e o tartar de atum com pipoca de quinoa (ambos R$ 55) são as novidades frescas da casa. Nada revolucionário, mas bem-vindo num cardápio que antes pedia mais opções leves.

Para fechar, a tortinha brownie com ganache de tangerina e caramelo salgado (R$ 38) leva licor de doce de leite. É doce, é alcoólica, é desnecessária e absolutamente necessária ao mesmo tempo. Sai de lá com a sensação de que comi mais do que devia e bebi exatamente o que precisava.

O Blue Blazer, enfim, não é mais um segredo. Mas é um endereço que vale a visita — com ou sem placa.

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Fonte do Conteudo: Renata Granchi – diariodorio.com

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