OPINIÃO: Circunstâncias, nada mais… | Jornal Espírito Santo Notícias

Sabe aquele pescador que sai antes do sol nascer, enfrentando um frio de danar, rumo ao mar em busca do sustento? Lá vai ele, cheio de esperança de voltar com a rede farta, embora não saiba se volta com peixe, com espinhas ou com a decepção no olhar. Mas vai. Vai sem olhar para trás e nestas madrugadas o galo no terreiro ainda nem ensaiou o primeiro canto.

Durante dias e noites ao relento em alto-mar, mal sobra tempo para uma mensagem no rádio da cabine da embarcação. A prioridade é outra: jogar a rede, puxar a rede, jogar de novo. Ele sabe que, ao regressar ao lar doce lar, cansado até os ossos, terá as notícias da sua cidade que agora respira “novos ares”, graças ao diálogo que venceu a instabilidade e deu lugar a uma nova moldura da paisagem.

O que talvez o pescador não saiba é a quantidade de dinheiro que tem sido despejada por aqui pelo Governo do Estado e pelas mãos de Renato Casagrande. E, em respeito a ele, à sua família e a todos os moradores desta Cidade das Conchas, vamos aos números para mostrar como Piúma deslanchou com Renato Casagrande no comando do Estado e Paulo Cola na prefeitura.

É curioso como muitos juram de pés juntos que não gostam de política, que “política não se discute” (assim como futebol e religião). Mas é justamente a política que decide o preço do arroz, do tomate e até do cafezinho que acompanha a prosa. Brecht já avisava: o pior analfabeto é o analfabeto político — aquele que abre caminho para os corruptos governarem e ainda se espanta quando a conta chega.

Pois bem: não faz tanto tempo, Piúma era o patinho feio do Espírito Santo. Hoje, graças ao “namoro” afinado entre governador e prefeito, o município já recebeu mais de R$180 milhões em investimentos. Dinheiro que, convenhamos, não aparece por mágica nem por milagre de santo padroeiro.

Claro, oposição sempre haverá e deve haver, não de forma irresponsável. Nesta semana vimos vereadores de Piúma disputando cliques ao lado de Lorenzo Pazolini, prefeito de Vitória, que anda distribuindo selfies como se fossem decretos. Antes dele, já tinha rolado sessão de fotos com Messias Donato, deputado que nunca trouxe um real para a cidade, mas trouxe sorriso para as câmeras e, pelo visto, isso já vale um “like”.

E lá estão eles, nossos nobres edis, que já antecipam debates de 2028 como se 2025 fosse só uma nota de rodapé. É bom lembrar, senhores que em 2024, o Republicanos de Pazolini elegeu oito prefeitos no Espírito Santo; alguns já pularam fora do barco, percebendo que é suicídio largar a mão de quem realmente investe. Em Mimoso, Peter, sem partido, reconhece que reconstruir a cidade sem o governo seria impossível. Em Venda Nova do Imigrante, Dalton Perim prefere focar na gestão do que gastar energia com 2028 e ele sabe que 2026 está logo ali, mas não quer antecipar diálogo nenhum agora. É maduro, experiente, sábio, tem consciência que a cidade está nas mãos dele e o povo merece respeito.

Em Guarapari, Rodrigo Borges, pragmático, mantém o diálogo aberto com Casão, ainda está no Republicanos, partido que o elegeu. E em Iconha, Gedson já aderiu de vez ao governo, deixou o partido de Pazolini porque, melhor do que o prefeito da Capital viu ponte a ponte renascer das águas. E o sonho do povo de chegar a um Bom Destino numa via asfaltada o fez se render de vez, sem contar todos os outros investimentos. Tem juízo, Paulino, sabe que política não se faz só com foto em gabinete, prosa e café da tarde.

Enquanto isso, o prefeito da capital segue meio isolado, agarrado às redes sociais como náufrago em boia inflável. E os seis vereadores piumenses, entre uma xícara e outra de café, acreditam que posar para foto com ele é estratégia política e não apenas passatempo de tarde vazia.

Mas voltemos ao concreto, ou melhor, ao asfalto, às obras e às cifras. Só para citar: R$20 milhões na primeira etapa da orla, R$27 milhões na segunda, R$65 milhões para o engordamento da praia, R$15 milhões no Contorno, R$12,3 milhões na Escola Filomena Quitiba, R$3 milhões no recapeamento, R$11,9 milhões no Polo Industrial, além dos festivais gastronômicos, veículos, máquinas e muito mais. A conta passa fácil dos R$180 milhões.

E, como se não bastasse, mais R$18 milhões já estão destinados a reformas de escolas, quadras, drenagens e pavimentações. Investimentos que não cabem em uma selfie, mas mudam a vida de quem pisa em rua asfaltada ou deixa o filho numa escola digna.

Ainda assim, há quem prefira a pose à gratidão. Antecipam palanques como quem troca de camisa, na ânsia de encontrar um ninho quente depois de perder o porto seguro. Oportunismo de quem navega contra a maré, sem bússola, sem âncora e sem noção.

E aqui cabe um alerta: em tempos de fake news, de narrativas fabricadas e “verdades” embaladas para caber no feed, a opinião consciente virou artigo de luxo. É ela que separa o cidadão do rebanho manipulado. A política é feita de fatos, de escolhas e de consequências, não de figurinhas de WhatsApp ou legendas editadas no Canva.

No fim, cabe ao povo de Piúma decidir: prefere a obra que fica ou a foto que some no rolar da tela? Para mim, tudo isso continua sendo apenas circunstâncias. E nada mais.

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Todas as emendas individuais indicadas pelo deputado federal Messias Donato (Republicanos) ao Orçamento de 2024 têm como destino o município de Cariacica, no Espírito Santo — grande parte via transferências especiais, as conhecidas “emendas Pix”. Acontece que a gestão atual da cidade é a mesma que Donato fez parte antes de ocupar uma cadeira na Câmara. (https://www.metropoles.com/brasil/deputado-federal-destinou-100-das-emendas-a-cidade-de-ex-chefe).

Fotos: Divulgação (Instagram do vereador Fabrício Taylor)

 

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Fonte do Conteudo: Luciana Máximo – www.espiritosantonoticias.com.br

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