Opinião: Nenhuma de nós está segura | Jornal Espírito Santo Notícias

Em uma sociedade onde os homens ainda não aprenderam a respeitar as mulheres, nenhuma de nós está segura. Essa reflexão tem reverberado insistentemente dentro de mim desde que vi, pela primeira vez, as imagens de Juliana Garcia sendo brutalmente espancada pelo namorado no elevador do prédio onde mora. Sessenta e um socos desfiguraram seu rosto, vindos de alguém que dizia amá-la.

De acordo com o Atlas da Violência, em 2023 foram registrados 275.275 casos de violência contra mulheres. Desse total, 177.086 foram classificados como violência doméstica — na maioria das vezes cometida pelo companheiro, namorado ou cônjuge da vítima. O relatório evidencia uma contradição dolorosa: a casa, que deveria ser o espaço mais seguro para essas mulheres, é frequentemente o lugar onde estão mais vulneráveis.

A violência contra mulheres é um problema histórico que atinge mulheres e meninas de diferentes classes sociais, etnias e idades. Embora saibamos que certos grupos são mais vulneráveis, a verdade é que nenhuma de nós está completamente a salvo.

O que mais assusta é que os agressores não são figuras distantes: são filhos, irmãos, amigos, alunos. Pessoas que convivem conosco e que, muitas vezes, ouvimos ser descritas como “bons pais”, “bons funcionários”, “bons amigos” …, mas, afinal, bons para quem?

A realidade é que a sociedade em que vivemos tem produzido esses homens — violentos, possessivos, agressores. Os números de feminicídios e de casos de violência contra mulheres crescem a cada ano. De alguma forma, nós, enquanto sociedade, estamos falhando.

Se não conversamos sobre o tema dentro de casa, educando nossos meninos e meninas para não se tornarem potenciais vítimas ou agressores; se não nos tornamos rede de apoio para as mulheres próximas, seja na família, na igreja, no trabalho ou na comunidade; e se não denunciamos esses agressores, somos corresponsáveis pela perpetuação desse ciclo.

A humanidade evolui à medida que diminuem as vulnerabilidades associadas a gênero, raça e classe, e que as pessoas podem usufruir de vidas dignas e seguras. No entanto, ao olhar para os índices de desigualdade e violência que persistem, é impossível não perceber o quanto ainda estamos distantes dessa realidade.

O rosto desfigurado dessa jovem retrata séculos de violências sofridas pelo corpo feminino. Cada golpe que ela recebeu ecoa a dor silenciosa de muitas outras mulheres. Enquanto a justiça for morosa e a sociedade permanecer calada, continuaremos a viver sob o reflexo distorcido de um país que não aprendeu a proteger suas mulheres.

Opinião: Luciene Carla Francelino, historiadora e escritora

 

Compartilhe nas redes sociais

Fonte do Conteudo: Luciana Máximo – www.espiritosantonoticias.com.br

VEJA MAIS

Publicação Legal 06/10/2026

Fonte do Conteudo: Bianca Coutinho – eshoje.com.br

Bolsonaro pede liberação de visitas de Flávio no STF

O ex-presidente Jair Bolsonaro pediu nesta segunda-feira (5) ao Supremo Tribunal Federal (STF) a liberação…

veja as chances de título, vaga na Libertadores e rebaixamento

O Brasileirão retorna na quarta-feira (7/10), com o início da 29ª rodada. Faltando 10 rodadas…