A Justiça do Distrito Federal condenou o pai de santo acusado de estuprar uma adolescente de 13 anos virgem dentro de um terreiro em Planaltina (DF). O réu pegou 9 anos, 7 meses e 6 dias de reclusão, em regime inicialmente fechado, além de ter sido condenado ao pagamento de R$ 10 mil por danos morais.
O caso foi julgado pela 2ª Vara Criminal e 2º Juizado Especial Criminal de Planaltina, em sentença proferida no processo que tramitava contra Marcos Henrique da Silva Santos.
Entenda o caso
- A primeira abordagem do autor ocorreu em julho de 2016, durante o período de férias escolares da adolescente.
- Em 2023, a vítima, que cresceu frequentando o centro religioso onde os fatos teriam ocorrido, foi à delegacia e relatou os detalhes do caso.
- Segundo a denúncia do Ministério Público, a adolescente frequentava o terreiro acompanhada dos pais, que também faziam parte da comunidade religiosa.
A sentença também reforça que os atos teriam começado enquanto a adolescente dormia. O juiz entendeu que o religioso se aproveitou da relação de confiança e da ascendência espiritual que exercia sobre a vítima para praticar os abusos.
Na decisão, o magistrado destacou que a prova oral foi suficiente para sustentar a condenação, mesmo sem laudo pericial. A sentença levou em conta o depoimento firme da vítima, a admissão parcial do réu e relatos de terceiros que disseram ter ouvido do próprio acusado confissões sobre o caso.
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do Metrópoles
O homem tentou sustentar que os fatos teriam ocorrido em 2018, quando a jovem já seria mais velha, mas essa versão foi rejeitada pela Justiça. O juiz também reconheceu a continuidade delitiva, já que os abusos ocorreram em três episódios, o que aumentou a pena final acima do mínimo legal.
Ataques e manipulação
A primeira abordagem do autor ocorreu em julho de 2016, durante o período de férias escolares da adolescente. Em suas declarações, a vítima mencionou que o pai de santo passou a aliciá-la, convencendo-a a praticar atos sexuais. “Eu estava desconfortável”, afirmou a jovem ao relatar um dos momentos em que alertou o autor sobre sua preocupação, mas, segundo ela, ele não só ignorou seu descontentamento, como persistiu no ato.
O relato aponta que a jovem ficou “extremamente confusa” após a primeira relação sexual, sentindo dores e percebendo um sangramento, o que a levou a questionar o autor sobre a normalidade da situação. A resposta do pai de santo — “isso é normal” — apenas aumentou a confusão e o medo da menina.
Envolvimento Familiar
Depois de ser forçada a ter duas relações sexuais com o autor, a vítima decidiu que era hora de contar à sua mãe, que se tornou uma testemunha crucial na sequência dos eventos. A mãe, alarmada com os relatos da filha, procurou a avó do pai de santo para relatar os abusos, mas não se lembrou de qualquer ação concreta tomada por ela. O que se seguiu foi uma reunião no centro religioso com familiares do pai de santo e da adolescente.
Durante esta reunião, familiares do pai de santo desmereceram o relato da jovem e tentaram afastar qualquer culpa do autor, alegando que “a vítima também quis”. Essa pressão familiar e a dinâmica relacional da comunidade religiosa pareceram silenciar a adolescente e sua mãe, que, intimidadas, hesitaram em tomar medidas legais.
Perseguições e intimidação
Após esses acontecimentos, a situação da jovem se agravou. O autor passou a persegui-la na escola, enviando mensagens via WhatsApp que detalhavam suas vestimentas e os amigos com quem ela andava. Esse comportamento de controle e intimidação fez com que a menina sentisse perigo constante. Em uma das mensagens, o pai de santo afirmou ter “olhos espalhados por Sobradinho”.
Além disso, a esposa do autor começou a frequentar o mesmo centro religioso que a vítima. Embora inicialmente parecesse criar um laço de amizade, esse relacionamento rapidamente se tornou uma nova forma de manipulação e controle. A aproximação serviu para manter a jovem sob vigilância, exacerbando ainda mais sua sensação de desamparo e medo.
Fonte do Conteudo: Metrópoles – www.metropoles.com