O Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou, nesta terça-feira (09/06), o tombamento do Palacete Celina Guinle e Linneo de Paula Machado e de seus jardins, localizado em Botafogo, na Zona Sul do Rio. O imóvel será inscrito nos Livros do Tombo de Belas Artes e Histórico.
Atualmente pertencente à Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o palacete é utilizado para a realização de eventos e atividades culturais e educativas.
Construído entre 1900 e 1906, o edifício foi um presente de casamento de Candido Gaffré a Celina Guinle, filha de seu sócio Eduardo Guinle. O nome do palacete faz referência a Linneo de Paula Machado, fundador do Jockey Club Brasileiro.
Em 1990, o urbanista Lúcio Costa já havia solicitado o tombamento do conjunto arquitetônico, destacando o imóvel como um dos mais refinados exemplos da arquitetura renascentista francesa em estilo beaux-arts no país, característica marcante da virada do século XX no Rio. Segundo ele, o projeto se destaca pela organização espacial que separa funções e individualiza os ambientes da residência.
Relatora do processo no Iphan, Raquel Furtado Schenkman Contier ressaltou que o palacete está inserido na área de amortecimento do sítio “Rio de Janeiro, Paisagens Cariocas entre a Montanha e o Mar”, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco. Para ela, a preservação deve considerar não apenas o imóvel, mas sua integração com a paisagem urbana e o uso social de seus jardins.
“Interessa preservar, portanto, não apenas um imóvel luxuoso de família influente em estilo francês, mas sua situação na paisagem carioca e sua relação com sua vizinhança ao manter-se aberto, com a fruição de seus jardins, bem como a capacidade de adaptar-se a novos usos e possibilidades”.
O imóvel já possui proteção em outras esferas: foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) em 2006 e pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) em 1987.
Durante a reunião, conselheiros sugeriram a atualização do nome oficial do bem para incluir Celina Guinle. A conselheira Natália Vieira defendeu a proposta, afirmando que a medida contribui para dar visibilidade à trajetória feminina e evitar sua invisibilização na memória histórica.
“faz o resgate da figura da Celina Guinle, para que não ocorra a invisibilização de mais uma mulher.”
O presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, destacou o reconhecimento federal como uma valorização do trabalho de preservação e do acesso público ao espaço.
“Isso celebra o cuidado que temos com nosso patrimônio e todas as iniciativas e programas que possibilitam o acesso da sociedade a este espaço e as discussões contemporâneas que promovemos na Casa Firjan.”
Já o conselheiro Bernardo Souza chamou atenção para a importância do uso social do palacete e alertou para a necessidade de vigilância permanente na conservação do patrimônio histórico.
“Mesmo com todas as regras de proteção, lentamente vão se perdendo pequenas coisas sem a preservação do Iphan”.
Fonte do Conteudo: Altair Alves – diariodorio.com