O que, afinal, embala a gestão do prefeito de Marataízes, Toninho Bittencourt? Samba, marcha fúnebre ou trilha de novela mexicana? O enredo anda tão confuso que dá vontade de pedir uma Skol bem gelada para acalmar os bastidores — não é, Charles Barboza?
Confesso que nunca gostei do clichê “dança das cadeiras”, mas como definir melhor essa coreografia desengonçada em que cada passo é uma exoneração e cada giro, uma traição?
Ontem, Breno Nil Reges, secretário de Turismo que um dia trouxe até pastores para ungir o retorno de Toninho ao poder depois de 20 anos, chorou. Se não chorou, estava gripado, porque a voz embargada no telefone entregava o drama. Imaginem só: dizem que uma foto ao lado do ex-prefeito Thiago Peçanha foi o estopim para a queda. Uma foto! Quem diria que pixels digitais pesariam mais do que anos de lealdade.
“Não creio”, ecoa a expressão batizada pela família Viana, como se fosse um mantra para as desilusões políticas. “Não, isso não, não pode ser verdade”, parece até que escuto eles comentando o suposto motivo da exoneração de Reges no balcão da antiga venda de Zé Inácio, lá pelas bandas da velha Batalha.
E no samba-enredo da política capixaba, nada surpreende: Peçanha articulando o tempo todo pelo litoral e pelas montanhas, surgindo a cada instante em apoio a Lorenzo, que lhe deu a fantasia de um cargo na Capital; Toninho, ainda acreditando que manda; e Breno, exposto no mural dos exonerados pela ousadia de sorrir com a pessoa errada.
Enquanto isso, Charles Barboza, com sua eloquência sempre afiada, solta que o governador Renato já não atende Toninho nem seu vice — e isso não é de agora. O beija-mão não rolou, talvez porque o queixo duro do prefeito não permite a curvatura. Barboza já aconselhou uma dose de humildade — mas Toninho não se curva, e política não é regida por batidas de pé no chão.
O castelo de Toninho, outrora erguido como fortaleza de poder, hoje parece maquete de areia na beira da praia: a cada onda, um pedaço desmorona. Ontem foi Breno; logo depois, o pastor João Batista pediu as contas em solidariedade. Fez até uma carta longa, cheia de floreios, mas nos bastidores o cartão vermelho já estava carimbado antes mesmo da tinta secar. Ficou até bonitinho o vídeo.
Turismo e Assistência, ambas vagas. Saúde, descarrilhada. Esportes e Meio Ambiente já com o cartão vermelho engatilhado. E Lugão, coitado, tentando carregar duas secretarias nas costas. Só que o que ele enfrenta não são apenas abacaxis — são caminhões lotados deles, daqueles espinhudos que cortam a mão. Problemas de lá e de cá, demandas que não acabam mais.
Nos corredores da Prefeitura, já se desenham dois lados: o de Toninho, que perdeu a bússola e não honra compromissos de campanha — é o que dizem os opositores — e o do grupo que afia as garras, pronto para tomar a cadeira. É guerra fria servida com cafezinho e fofoca.
E no meio de tudo, festas, tendas, palcos, jabutis e abacaxis. Porque o show não pode parar, mesmo que o trem da gestão esteja descarrilhado. O Diário Oficial deveria ser transparente como a água dos mares da Pérola.
É, Toninho, o trono não é eterno. E castelo feito de ilusões e promessas de campanha não resiste ao vento das redes sociais. Pega logo as rédeas, porque o cavalo já disparou. E, convenhamos, ninguém aplaude rei perdido em corte deserta.
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Fonte do Conteudo: Luciana Máximo – www.espiritosantonoticias.com.br