Pesquisa inédita revela alto consumo de álcool e cigarros eletrônicos entre adolescentes da GV

Uma pesquisa inédita com mais de 4,6 mil estudantes de 63 escolas públicas e privadas da Região Metropolitana de Vitória revelou dados preocupantes sobre o uso de drogas entre adolescentes. O levantamento, conduzido pela Rede Abraço em parceria com o Laboratório de Estudos sobre Violência, Saúde e Acidentes da Universidade Federal do Espírito Santo (Lavisa) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Espírito Santo (Fapes), será apresentado nesta terça-feira (26), às 14h, em coletiva no auditório do CAAD Vitória.

Segundo o estudo, dois a cada dez estudantes já experimentaram algum tipo de droga. O encontro com a imprensa contará com a presença da coordenadora da pesquisa, professora e doutora Franciéle Marabotti, e do subsecretário de Estado de Políticas sobre Drogas e coordenador do Programa Rede Abraço, Carlos Lopes.

Cigarros eletrônicos e narguilé

O levantamento mostrou que 22,9% dos adolescentes já experimentaram narguilé ou cigarro eletrônico — sendo a prevalência maior entre meninas (25%) do que entre meninos (21%). Entre os que já testaram, 27% continuam fazendo uso.

Apesar da proibição da venda a menores, os jovens relatam que conseguem adquirir os produtos em lojas, bares e outros estabelecimentos. Entre as motivações para o consumo estão diversão com amigos, redução de estresse, relaxamento e “esquecer dos problemas”.

Consumo de álcool

O consumo de álcool entre adolescentes também chamou atenção: 62,9% dos estudantes disseram já ter ingerido bebida alcoólica pelo menos uma vez na vida — percentual superior ao observado entre pais e responsáveis. Entre as meninas, o índice chega a 66,6%, contra 58,6% entre os meninos.

O uso atual é expressivo: quase metade (48%) relatou ter consumido bebida recentemente. Destilados estão entre os preferidos, e 39,2% afirmaram comprar diretamente no comércio local, enquanto 20,9% conseguem acesso em festas.

Reprodução

Drogas ilícitas e medicamentos

No geral, 32,7% dos entrevistados disseram já ter usado algum tipo de droga, lícita ou ilícita. A maconha foi a substância ilícita mais citada, com 17,6% de experimentação.

Outro dado que preocupa é o uso de tranquilizantes sem prescrição médica, relatado por 16,7% dos adolescentes. Mais de um terço (33,5%) conseguiu os medicamentos dentro de casa, doados por familiares. O estudo alerta que esse comportamento pode gerar dependência química e riscos ao desenvolvimento neuropsíquico.

Influência social e acesso facilitado

A pesquisa também apontou que 15% dos adolescentes têm amigos ou colegas que usam drogas, mostrando a influência do grupo social sobre o consumo. Além disso, quase 13% relataram conhecer outras drogas que nem estavam listadas no questionário.

Apesar de mais de 90% dos estudantes terem recebido algum tipo de orientação preventiva — na escola, na família, na igreja ou em outros espaços —, a maioria afirmou que buscaria informações sobre drogas na internet (54,1%). Para os pesquisadores, o dado reforça a importância de regular o acesso de crianças e adolescentes às redes sociais e monitorar os conteúdos disponíveis.

Fonte do Conteudo: Redação Multimídia ESHOJE – eshoje.com.br

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