Obra pode parar nas proximidades do The Best Açaí enquanto Cesan não soluciona obstruções na nova rede de esgoto; comerciantes reclamam dos prejuízos e moradores enfrentam dificuldades para ir e vir
A obra de revitalização da orla de Piúma enfrenta mais um obstáculo que preocupa moradores, comerciantes e trabalhadores da região. Problemas de obstrução na nova rede de esgoto têm impedido o avanço dos serviços e podem levar a empresa responsável pela obra a interromper os trabalhos novamente, desta vez nas proximidades do The Best Açaí.
O cenário preocupa ainda mais com a aproximação do verão, período considerado fundamental para o comércio local. Há comerciantes que afirmam estar acumulando prejuízos há meses e temem que a situação se prolongue justamente na chegada da alta temporada.
Além dos impactos econômicos, os moradores também estão tendo o direito de ir e vir comprometido pelas condições do trecho em obras. Lama, água acumulada, esgoto e as dificuldades de circulação têm tornado a rotina de quem vive e trabalha na região ainda mais complicada.
Obra avança, mas esbarra no saneamento
Segundo o engenheiro responsável pela obra, a segunda parte do contrato foi iniciada em junho de 2025 e contempla o trecho das ruas Alfredo Roberto e Valdoberto Layber.
Já a terceira etapa teve início em março de 2026. No entanto, segundo ele, os problemas relacionados ao saneamento vêm dificultando o andamento dos serviços.
O trecho entre a Praça Dona Carmen e a Academia Clube do Farol está praticamente concluído, restando apenas a instalação da iluminação.
Na área entre o Restaurante D’Angilis e a Ilha do Gambá, o avanço está em aproximadamente 50%. O calçamento já chegou até a Churrascaria Cunha, e a empresa trabalha para concluir a ciclovia e o passeio até o estabelecimento, além do passeio junto às edificações.
O engenheiro explica que, diante da dificuldade provocada pelo esgoto, a intenção é avançar até as proximidades do The Best Açaí e, caso o problema não seja solucionado, paralisar novamente os serviços naquele ponto.
“Enquanto não resolvem o problema do esgoto, vamos tentar levar a obra até o The Best Açaí. Aí vamos parar, igual fizemos na esquina do Cunha, e só vamos retornar quando a Cesan resolver a situação”, afirmou.
Chuva, esgoto e tentativas de escoamento complicam ainda mais a obra
A situação no canteiro de obras se agravou nas últimas semanas. A empresa responsável pela revitalização chegou a abrir uma vala para tentar escoar a água acumulada em direção à praia. A medida, porém, acabou sendo alvo de notificação da Prefeitura de Piúma, que levantou a possibilidade de haver esgoto misturado à água que seria lançada no mar.
Posteriormente, a empresa realizou a sucção da água acumulada no local. No entanto, as chuvas não deram trégua e, com o problema do vazamento de esgoto na rede, o volume de água voltou a aumentar, tornando ainda mais difícil a execução dos serviços.
Na semana passada, segundo informações da empresa, uma nova tentativa foi feita para minimizar o problema. A estratégia era aterrar o trecho onde havia acúmulo de esgoto e, posteriormente, retirar o material com as máquinas para encaminhá-lo ao bota-fora. Mais uma vez, porém, a chuva atrapalhou os trabalhos e impediu que a operação fosse concluída como planejado.
Ainda segundo o responsável pela obra, a água acumulada no canteiro contém esgoto e precisa ser retirada para que os trabalhos possam continuar.
A situação tem provocado insatisfação entre comerciantes, moradores e trabalhadores, que convivem diariamente com os impactos da obra.
O resultado é um canteiro de obras cada vez mais complicado, com água, lama e esgoto dificultando a circulação e a execução dos serviços.
Para os comerciantes da região, a situação é especialmente preocupante. Muitos afirmam que já estão enfrentando dificuldades financeiras em razão dos impactos provocados pela obra e temem que uma eventual nova paralisação se prolongue justamente às vésperas do verão, quando o movimento de turistas é fundamental para a economia local.
Cesan aponta resíduos dentro da nova rede
Do outro lado, a Cesan afirma que foram encontrados resíduos dentro da nova rede de esgoto, entre eles pedras, areia, solo e brita, materiais que não deveriam estar no sistema.
Segundo João Paulo, responsável pela Cesan em Piúma, esses resíduos provocaram a obstrução da tubulação.
“Em algum momento, esses resíduos entraram na rede e a gente não sabe como isso gerou uma obstrução, na qual estamos atuando para tentar resolver”, explicou.
Ele também destacou a dificuldade para retirar as pedras encontradas dentro da tubulação.
“Estamos encontrando pedras grandes que comprometem toda a seção da tubulação. Passa a ser um trabalho um pouco mais difícil de ser executado quando a pedra entra dentro da tubulação, que tem um diâmetro pequeno. Para tirar essa pedra dá um transtorno, mas a equipe está atuando”, afirmou.
Enquanto um aponta para o outro, comerciantes e moradores esperam
O problema ganhou contornos ainda mais preocupantes porque a empresa responsável pela revitalização atribui a paralisação aos problemas na rede de esgoto, enquanto a Cesan trabalha para solucionar as obstruções encontradas na tubulação.
Enquanto isso, quem está no meio da situação é a população.
Comerciantes amargam prejuízos, moradores enfrentam dificuldades para circular e a obra, que deveria transformar a orla, corre o risco de avançar em ritmo ainda mais lento.
E o calendário não espera. O verão está chegando, justamente quando Piúma recebe um grande fluxo de visitantes e o comércio depende do movimento para recuperar as perdas acumuladas durante o ano.
A pergunta que fica para moradores e comerciantes é: o problema do esgoto será resolvido a tempo para que a revitalização avance antes da chegada da alta temporada?
O Espírito Santo Notícias acompanha a situação e continuará ouvindo os envolvidos e cobrando informações sobre o andamento da obra e a solução para os problemas de saneamento.
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Fonte do Conteudo: Luciana Máximo – www.espiritosantonoticias.com.br

