Professora torturada durante a ditadura receberá indenização da União

À esquerda, Regina Maria Toscano durante a ditadura militar; à direita, uma das celas do DOI-Codi, no Rio (Foto: Fotos de Arquivo Pessoal e O Globo)

A União foi condenada pela 35ª Vara Federal do Rio de Janeiro a pagar R$ 150 mil por danos morais à professora aposentada Regina Maria Toscano Pereira, de 78 anos, vítima de graves violações de direitos humanos cometidas durante a ditadura militar.

Segundo a sentença, o valor da indenização deverá ser corrigido monetariamente a partir da data do julgamento e acrescido de juros de mora desde 31 de março de 1970, data em que ocorreram os crimes. Com a incidência de mais de cinco décadas de juros, o montante pode se aproximar de R$ 1 milhão.

Histórico de perseguição e tortura

Regina Toscano era estudante universitária e caloura da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da então Universidade do Estado da Guanabara — atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) — quando, em 1968, passou a ser monitorada pelos órgãos de repressão. Integrante do movimento estudantil, ela exercia o cargo de vice-presidente do diretório acadêmico e foi acusada de subversão pelo regime militar.

Em março de 1970, grávida e em recuperação de uma cirurgia, Regina foi presa de forma violenta e levada ao DOI-Codi, onde foi submetida a sessões de tortura. De acordo com os autos, ela sofreu choques elétricos, espancamentos, pau de arara e violência moral. Os agentes de repressão teriam se aproveitado de sua condição de gestante, desferindo chutes em seu abdômen e aplicando choques elétricos, o que resultou na perda do bebê.

Portadora de epilepsia, Regina teve o estado de saúde agravado em razão das torturas, passando a apresentar crises convulsivas severas que levaram a sucessivas internações, inclusive sob custódia militar. Entre abril e julho de 1970, ela permaneceu internada, inclusive no Hospital Central do Exército.

Após breve retorno ao DOI-Codi, onde voltou a ser torturada, Regina foi transferida para o 1º Batalhão de Comunicações da Vila Militar, permanecendo detida até abril de 1971. Mesmo após a concessão de liberdade condicional por motivos médicos, continuou sob vigilância do regime, obrigada a se apresentar semanalmente às autoridades militares e submetida a perseguição política.

As sequelas físicas e psicológicas decorrentes das violações persistem até hoje. Regina Maria Toscano Pereira foi representada na ação pelo escritório João Tancredo Advogados.

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Fonte do Conteudo: Altair Alves – diariodorio.com

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