Comissão da Ales ouve especialistas sobre riscos dos jogos online e redes sociais, que atingem cada vez mais crianças e adolescentes
Por Amanda Amaral
O uso das redes sociais e dos jogos de azar digitais por crianças e adolescentes recentemente ganhou repercussão nacional após denúncia do influenciador Felca e da prisão do também influenciador Hytalo Santos. Esta semana o tema também está em destaque na Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo (Ales).
Na terça-feira (02), 11 horas, a Comissão de Proteção à Criança e ao Adolescente, presidida por Alcântaro Filho (Republicanos), promove o debate: “Redes Sociais e a Doutrinação: Quem está educando nossos filhos?”. Foram convidadas a participar, a assistente social e psicanalista Arcangela Pivetta dos Santos; a psicóloga Julienne Cândida Melo; e a assistente social Kétherine de Nardi Silva.
Nesta segunda-feira (01), a diretora do Instituto Brasileiro de Ensino Superior e Expansão do Conhecimento (Ibeses), Cláudia Guimarães Duarte, compareceu à casa legislativa em sessão ordinária a pedido da Comissão da Educação, presidida pelo deputado Marcos Madureira (PP).
Pesquisas do Instituto Alana mostram que 78% das plataformas digitais não adotam verificação efetiva de idade, segundo apresentou Cláudia Duarte. Ela também lembrou que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets revelou que 92% dos influenciadores que promovem jogos de azar não mencionam a exigência de idade mínima.
Par a especialistas, o crescimento das plataformas de jogos e apostas on-line exige atenção imediata de educadores, legisladores e da sociedade. “Nosso objetivo é fomentar a discussão sobre os riscos para crianças e adolescentes e os caminhos possíveis de enfrentamento no âmbito educacional e legislativo”, afirmou.
Os sites utilizam recursos visuais e sonoros semelhantes aos cassinos, com recompensas intermitentes, cores vibrantes e estímulos que favorecem a liberação de dopamina, alertou Cláudia Duarte. “Esse mecanismo potencializa a atração para crianças já predispostas ao vício digital”, disse. Um levantamento do Datasenado aponta, ainda segundo a especialista, que 52% dos professores relatam queda de rendimento escolar em estudantes com alto consumo de jogos.
Cláudia reforçou que a responsabilidade pela proteção da infância deve ser compartilhada entre Estado, escola e sociedade. “Garantir uma infância plena não é apenas um dever, mas o alicerce para um futuro digno e próspero”, concluiu.
Fonte do Conteudo: Amanda Amaral – esbrasil.com.br