Ricardo Couto quer mexer mais no governo do Rio, mas esbarra em prazo curto e salários

Ricardo Couto – Foto: Felipe Cavalcanti

O governador interino do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, quer aprofundar a reforma no primeiro escalão, mas esbarra num problema bem concreto: falta gente disposta a assumir áreas estratégicas de um governo que pode durar muito pouco. Nos bastidores, dois fatores aparecem o tempo todo como entrave: a incerteza sobre a duração da interinidade e os salários, vistos como pouco competitivos para profissionais hoje no mercado privado. A dificuldade é especialmente sensível em pastas centrais, como a Secretaria de Fazenda.

O contexto ajuda a explicar o travamento. Couto ocupa o cargo interinamente por determinação do STF, depois da renúncia de Cláudio Castro e da crise sucessória aberta no estado. O tribunal marcou para 8 de abril o julgamento que vai decidir se a escolha do governador do mandato-tampão será direta ou indireta, além de definir as regras do processo sucessório. Até lá, o presidente do TJRJ segue no comando do Palácio Guanabara sem saber exatamente qual será o tamanho do próprio mandato.

Sem horizonte claro, o interino tem optado por mexer onde consegue. Desde que assumiu, já promoveu mudanças na Casa Civil, no Gabinete de Segurança Institucional, na Controladoria-Geral do Estado, no Instituto de Segurança Pública e na representação do governo em Brasília. A linha adotada tem sido a de um enxugamento gradual, com tentativa de montar uma equipe mais técnica e menos ligada ao jogo eleitoral que cercava a reta final da gestão anterior.

Uma das trocas mais simbólicas foi na Casa Civil, com a saída de Nicola Miccione e a entrada de Marco Antônio Rodrigues Simões logo no início da interinidade. A mudança teve peso político porque a pasta havia sido fortalecida pouco antes e era vista como peça importante nas articulações do grupo de Cláudio Castro para a sucessão. Ao trocar o comando, Ricardo Couto deu um primeiro sinal de que não pretendia apenas administrar a cadeira até nova ordem.

Na área de segurança institucional, a mudança também foi forte. Edu Guimarães de Souza deixou o comando do GSI, e o delegado Roberto Lisandro Leão assumiu a estrutura. Desde então, ele começou um pente-fino em contratos, programas e cargos de confiança. Entre os alvos da revisão estão o Barricada Zero, as aeronaves oficiais e o serviço de táxi aéreo usado por autoridades estaduais.

O Barricada Zero, criado na gestão passada para coordenar a retirada de barreiras erguidas em comunidades, entrou nessa revisão sem que isso signifique, ao menos por ora, seu fim. Segundo dados do próprio governo citados nas reportagens sobre a reavaliação, o programa alcançou 227 comunidades em quatro meses, retirou cerca de 14 mil toneladas de entulho e resultou em 90 prisões. Já o contrato de táxi aéreo, também sob análise, consumiu R$ 17,4 milhões em três anos e foi renovado nos últimos atos do governo anterior.

As mudanças mais recentes foram publicadas em edição extra do Diário Oficial. Na Controladoria-Geral do Estado, saiu Demetrio Abdennur Farah Neto e entrou o advogado Bruno Campos Pereira, que era subsecretário de Contabilidade. No Instituto de Segurança Pública, a delegada Marcela Ortiz deu lugar à pesquisadora e economista Bárbara Caballero de Andrade. Já na Secretaria Extraordinária de Representação em Brasília, Bráulio do Carmo Vieira foi substituído por Gustavo Alves Pinto Teixeira, ex-desembargador do TRE-RJ.

Além do alto escalão, a faxina alcançou cargos de segundo e terceiro níveis. Só no GSI, desde o início da semana, foram 24 exonerações, atingindo chefias, funções de assistência e postos ocupados majoritariamente por agentes ligados à área de segurança, entre policiais civis, policiais militares, um policial federal aposentado e uma bombeira militar. O gabinete, segundo as informações publicadas, tem orçamento anual de R$ 64 milhões.

Mesmo sem conseguir atrair todos os nomes que gostaria, Ricardo Couto tenta imprimir marca própria. Um exemplo foi a antecipação do pagamento do funcionalismo estadual para 2 de abril, com folha estimada em R$ 2,4 bilhões para cerca de 450 mil servidores entre ativos, inativos e pensionistas. No mesmo movimento, ele também exonerou o secretário de Governo Jair Bittencourt, nomeado por Cláudio Castro no fim da gestão, o que reforçou a ideia de que a interinidade não seria apenas protocolar.

No fundo, o problema político de Couto é simples de entender e difícil de resolver. Quem topar assumir agora uma secretaria estratégica entra num governo sem calendário claro de duração, sob forte judicialização e com remuneração que não concorre com a iniciativa privada. Por isso, o interino vai reorganizando o que consegue, revisando estruturas sensíveis e aguardando a decisão do STF, que pode redefinir em poucos dias todo o tabuleiro do poder fluminense.

Com informações d´O Globo

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Fonte do Conteudo: Quintino Gomes Freire – diariodorio.com

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