Rio volta a testar ônibus elétrico após 11 anos: Tijuquinha põe Apache Vip V nas linhas 301/302

Imagem gerada por Inteligência Artificial

O Rio de Janeiro está fora do mapa das 70 cidades latino-americanas com ônibus elétricos em operação — 26 delas no Brasil, incluindo São Paulo. Mesmo assim, a cidade voltou a testar um veículo movido a bateria depois de 11 anos. A iniciativa é da Auto Viação Tijuca (Tijuquinha) e roda nas linhas 301 e 302 (Terminal Gentileza–Barra da Tijuca) por um mês. Com informações do O Globo.

O modelo Apache Vip V chegou à garagem da Tijuquinha em 4 de setembro. Na semana seguinte, começou a levar passageiros nos dois serviços de longa distância que cruzam a cidade. Antes, o coletivo serviu ao treinamento de motoristas. O ônibus é automático, tem oito baterias instaladas entre o eixo e a cabine e uma tela no painel que exibe a carga restante. O motor é silencioso e, ao fim do dia, a recarga ocorre em estação própria na garagem do Andaraí.

A operação quer medir performance real. “O grande desafio é avaliar a questão da autonomia da bateria”, afirma Paulo Valente, porta-voz do Rio Ônibus. A última experiência municipal havia sido em 2014, na linha 249 (Água Santa–Carioca). Desde então, testes ocorreram em Niterói, Petrópolis, Nova Friburgo e na intermunicipal 417T (Xerém–Barra), que registrou autonomia de 280 km, segundo o Detro-RJ. A futura licitação intermunicipal prevê veículos a energia mais limpa (elétricos ou a gás).

Na capital, a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) publicou na sexta (19) uma resolução com regras para pilotos: 30 dias, prorrogáveis por mais 30; exigência de validador Jaé e GPS; e envio de dados como consumo médio por km e tempo de recarga até uma semana após o fim do teste. Esse percurso não entra na meta de quilometragem das linhas. A prefeitura trabalha num estudo de modelagem (custos e implantação) até o fim do ano, com meta para início da frota elétrica em 2027.

Hoje, a frota municipal tem 3,9 mil ônibus, todos a diesel. A nova licitação de ônibus do Rio, que vai dividir a cidade em lotes, começa exigindo Euro-6 (menos poluente), mas o plano — nas palavras do prefeito — “é caminhar para o elétrico” nas etapas seguintes. No radar regional, Volta Redonda já incorporou três elétricos e é o único município fluminense no E-Bus Radar (atualizado em julho).

Na América Latina, Santiago (2.550) e Bogotá (1.486) lideram a frota elétrica; no Brasil, São Paulo soma 855 segundo a plataforma (e 930 pela SPTrans, 7% de 12 mil), mas enfrenta gargalos de infraestrutura. “Mais do que conseguir, a gente precisa chegar nesses números porque está dada uma emergência climática”, diz Marcel Martin, diretor-geral do ICCT, entidade que mantém o E-Bus Radar ao lado do C40. Para ele, o modelo de governança pesa: em países vizinhos, o governo central compra e estrutura; no Brasil, a responsabilidade recai sobre cada município, enquanto um elétrico ainda custa cerca de três vezes um a diesel.

Um estudo do ITDP Brasil com a Scipopulis, apoiado pelo Ministério das Cidades, publicado em agosto, mapeou 18 sistemas e indicou potencial de troca de 14 mil ônibus a diesel até 2030. No Rio, seriam cerca de 1.500 na capital e outros 1.500 na Região Metropolitana — em rotas planas, com quilometragem compatível à autonomia elétrica e frotas próximas da renovação. “O Rio é uma das cidades com mais potencial para eletrificar. Estamos elaborando uma estratégia que assegure recursos, infraestrutura e energia disponível nas garagens”, afirma Roberto Speicys, CEO da Scipopulis. A consultoria atua com ITDP e Almeida & Fleury na modelagem que a prefeitura quer concluir até o fim do ano.

Enquanto isso, o teste da Tijuquinha tenta responder perguntas práticas: autonomia no eixo Gentileza–Barra, consumo por quilômetro, tempo de carga e robustez do ônibus em corredores de alta demanda. Se os números fecharem, o Rio pode, enfim, voltar a figurar no mapa da eletrificação do transporte.

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Fonte do Conteudo: Redação Diário do Rio – diariodorio.com

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