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Após 303 anos de monopólio, os Correios enfrentam uma crise financeira sem precedentes. No 1º trimestre, o prejuízo de R$ 3,1 bilhões cresceu 82%, com uma perda de R$ 35 milhões por dia. Nesse ritmo, a estatal pode chegar a um rombo de R$ 12 bilhões em 2025. Sem saber o que fazer, o governo insiste em paliativos financeiros.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Se passaram 303 anos de monopólio, o mais longevo no Brasil. Com 84 mil empregados e presença em cinco mil municípios, a empresa Correios é símbolo de uma obstinada resistência política e sindical a mudanças na gestão das estatais coerentes e consistentes com o interesse público.
O balanço divulgado nesta segunda-feira (1/6) é eloquente sobre a crise dessa empresa que no período colonial tinha sede no Rio e exibia o poético nome de Correio-Mor das Cartas do Mar.
Três séculos depois, tem-se nas contas do trimestre um retrato 3×4 da degradação institucional progressiva do conjunto de empresas estatais, exposta ao público parcialmente nos processos do Mensalão e da Lava-Jato.
No primeiro trimestre, a estatal Correios acumulou prejuízo de 3,1 bilhões de reais. Foi 82% acima da perda registrada nos primeiros 90 dias do ano passado, que somou 1,7 bilhão de reais.
O rombo no caixa foi de 35 milhões de reais por dia entre janeiro e março passado.
Significa que a empresa estatal perdeu 1,4 milhão de reais por hora. Ano passado, o prejuízo médio foi de 783 mil reais por hora.
Mantido o ritmo, os Correios devem fechar o ano com um buraco de 12 bilhões de reais nas contas. Se confirmado, será recorde – muito acima da perda de 8,5 bilhões de reais de 2025.
O governo federal não sabe o que fazer, além da administração de paliativos financeiros. Recentemente, avalizou um crédito privado de 12 bilhões de reais para permitir a empresa fechar as contas anuais. Um outro empréstimo, de 4 bilhões de reais, está sendo negociado com o banco do Brics, controlado pela China e comandado pela ex-presidente Dilma Rousseff.
A empresa estatal se perdeu num labirinto criado por administrações submissas a um condomínio de interesses privados, políticos e sindicais, com rarefeita fiscalização e controle do governo, do Congresso e do Judiciário. Resultado: sobram incertezas sobre as contas dos Correios.
Há dúvidas até sobre o acervo de 23 mil ações judiciais. Em março, por exemplo, foram separados 7,4 bilhões de reais para cobrir despesas com processos e sentenças judiciais. Auditores contratados foram checar se esse volume de dinheiro é suficiente ou não. “Não foi possível concluir”, registraram.
Fonte do Conteudo: José Casado – veja.abril.com.br