Após 12 horas de julgamento, júri popular considerou ré culpada por homicídio qualificado e tentativa de feminicídio
Após quase 12 horas de julgamento no Tribunal do Júri, no Fórum Desembargador Demerval Lyrio, em Piúma, Rosilene Dias Fernandes, conhecida como Rogerão, foi condenada a 33 anos e nove meses de reclusão. A decisão unânime veio após a análise das provas e depoimentos que comprovaram sua responsabilidade no assassinato da motogirl Tatiane Coutinho Scherrer, de 28 anos, e na tentativa de homicídio contra sua ex-namorada, Diana Mendonça Costa, de 32 anos.
O crime, ocorrido em 18 de dezembro de 2022, dentro de um bar no bairro Céu Azul, foi motivado por ciúmes e marcado por extrema violência de gênero. A sentença, segundo familiares da vítima, trouxe um senso de justiça, mas não apaga a dor da perda.
O julgamento
O júri popular foi composto por sete pessoas, que analisaram o caso ao longo de um dia exaustivo. O advogado da família de Tatiane, Dr. Igor Vidon Rangel, destacou que a defesa da ré tentou, a todo momento, desqualificar as provas e sustentar a tese de falta de evidências. No entanto, a acusação apresentou um volume sólido de testemunhos e depoimentos que reforçaram a autoria do crime.
A defesa de Rosilene argumentou que ela não estava na cena do crime, alegando que estava em Guarapari na noite do assassinato. No entanto, não apresentou nenhuma prova que sustentasse essa versão. Além disso, o advogado de defesa tentou desqualificar uma testemunha-chave: o garçom do quiosque onde Rosilene passou horas vigiando Diana e Tatiane antes do ataque. Nos momentos finais, a defesa ainda tentou introduzir argumentos que não constavam nos autos do processo, uma estratégia que não convenceu os jurados.
Segundo Dr. Igor, o julgamento deixou claro que Diana, a ex-companheira da ré, tentou minimizar a conduta de Rosilene, chegando a negar ter reconhecido a assassina logo após o crime. Durante o júri, Diana passou a maior parte do tempo ao lado dos familiares da acusada, um comportamento que, segundo a acusação, foi interpretado como uma tentativa de protegê-la. No entanto, as provas foram decisivas para a condenação.
A sentença e as qualificadoras do crime
Rosilene foi condenada por homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificado, com as seguintes agravantes:
- Motivo torpe: O assassinato foi motivado por ciúmes, uma justificativa fútil para tirar a vida de uma pessoa.
- Recurso que dificultou a defesa da vítima: Tatiane não teve chance de se proteger antes de ser baleada no pescoço.
- Feminicídio na tentativa de homicídio contra Diana: A tentativa de assassinato contra a ex-companheira foi enquadrada como feminicídio, por se tratar de um crime motivado por violência de gênero.
A decisão dos jurados foi unânime, com quatro votos a zero em todos os quesitos essenciais para a condenação.
“Foi cansativo, mas Deus nos honrou”, diz tia da vítima
A farmacêutica Emíliana Gomes Coutinho, tia de Tatiane, acompanhou todo o julgamento e descreveu a longa batalha judicial.
“Foram quase 12 horas de júri, entramos às 10h e saímos às 21h40. Muitas mentiras, muitas jogadas, a defesa tentou confundir, mas Deus nos honrou. Dr. Gustavo e Dr. Igor brilharam, deram tudo de si!”
Ela também ressaltou a importância da cobertura jornalística do caso.
“O jornal teve um papel fundamental para garantir o reconhecimento da ré. Tentaram até desqualificar o Dr. Igor, mas até o juiz disse que era absurda a tentativa da defesa.”
Justiça feita
A família de Tatiane considera a condenação uma vitória da justiça, mas lembra que nenhuma sentença será capaz de trazer a jovem de volta.
“Rosilene, um dia, poderá sair da prisão e reconstruir sua vida. Mas Tatiane nunca terá essa chance”, destacou Dr. Igor.
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Fonte do Conteudo: Luciana Máximo – www.espiritosantonoticias.com.br