Saiba as chances da Copa do Mundo nos EUA provocar um surto de sarampo

Conforme dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês), os casos de sarampo tiveram uma alta recorde em 2025, contabilizando mais de 2,1 mil diagnósticos, mesmo 25 anos após a eliminação da transmissão endêmica no país. Este ano, o CDC informa que, até 12 de junho (data de fechamento da matéria), já foram registradas 2.073 ocorrências.

A preocupação aumenta visto que o país norte-americano será uma das sedes da Copa do Mundo até meados de julho, um megaevento que elevará a circulação de pessoas de diversa regiões mundiais pelos Estados Unidos. México e Canadá também receberão partidas, porém a maioria será concentrada em território estadunidense.

A onda de casos de sarampo no país pode estar ligada a uma queda na cobertura vacinal da população. Com menos proteção, o vírus do sarampo, que é altamente contagioso, tende a se espalhar com mais facilidade. Por isso, especialistas entrevistados pelo Metrópoles apontam que há chances de a Copa do Mundo elevar riscos de um possível surto da doença.

“Eventos de massa aumentam o risco de importação e disseminação de doenças transmissíveis, especialmente aquelas de alta contagiosidade, como o sarampo. O vírus pode permanecer suspenso no ar por até duas horas após ter sido eliminado pela pessoa infectada, e possui um dos maiores índices de transmissibilidade entre as doenças infecciosas humanas”, explica a infectologista Denise Cotrim, do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF), órgão vinculado à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Além dos Estados Unidos, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) alertou, em março deste ano, que houve um aumento de casos de sarampo nas Américas. Assim como no país norte-americano, o principal fator apontado para a alta é a queda na cobertura vacinal. No Brasil, o cenário permanece controlado, com apenas duas ocorrências confirmadas em 2026.

“Existe risco real de um viajante não imunizado se infectar nesses países e retornar doente para o Brasil”, alerta o infectologista André Bon, coordenador da Infectologia do Hospital Brasília.

O que é sarampo

Altamente contagioso, o sarampo é uma doença transmitida através de gotículas liberadas pela tosse, fala ou espirro. Segundo o Ministério da Saúde, como o vírus permanece no ar por um tempo considerável, a disseminação é facilitada. Qualquer indivíduo não vacinado, está suscetível a infecção. Se não tratada, a condição pode causar quadros mais graves, como pneumonia, infecções no ouvido e inflamações no cérebro.

De acordo com Denise, além dos não vacinados, outros grupos populacionais mais vulneráveis ao sarampo são: bebês e crianças menores de 5 anos; pessoas com deficiência de vitaminas; imunossuprimidos e gestantes – lembrando que a vacina contra a doença não é indicada para mulheres grávidas.

“Trabalhadores de setores com alto fluxo de pessoas (como portos, aeroportos e hotelaria) exigem atenção redobrada”, acrescenta a especialista.


Quais são os sintomas de sarampo

  • Febre alta;
  • Tosse persistente;
  • Coriza (nariz escorrendo);
  • Conjuntivite;
  • Manchas vermelhas pelo corpo.

Vou para a Copa do Mundo, como devo me protejo?

Para quem vai para a Copa torcer por sua seleção, a principal recomendação é estar com o calendário vacinal atualizado. A imunização contra o sarampo ocorre por meio da vacina tríplice viral – o número de doses varia de acordo com a idade. Entre outras medidas importantes estão:

  • A qualquer sintoma após viagem internacional, especialmente febre associada a manchas vermelhas ou rosadas no corpo, procure ajuda médica;
  • Evite contato com pessoas contaminadas, ou que apresentem sintomas suspeitos;
  • Siga as orientações das autoridades sanitárias durante a Copa do Mundo ou qualquer evento de massa que for participar.

“É fundamental que todos os brasileiros acima de 1 ano de idade estejam vacinados contra o sarampo, impondo-se assim uma barreira à circulação do vírus no país”, recomenda Bon.

Fonte do Conteudo: Metrópoles – www.metropoles.com

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