Serra lidera qualidade em contas públicas no país

Antes de construir uma escola, ampliar uma unidade de saúde ou iniciar uma obra de mobilidade, a Prefeitura precisa saber exatamente quanto arrecada, quais despesas já estão comprometidas e quanto existe disponível em caixa. Na Serra, as informações que sustentam essas decisões alcançaram o nível máximo de qualidade na avaliação realizada pelo Tesouro Nacional.

O município obteve 100% de acertos no Ranking da Qualidade da Informação Contábil e Fiscal de 2026 e ficou em primeiro lugar no Brasil entre as cidades com mais de 100 mil habitantes, exceto capitais. A liderança foi compartilhada com Vila Velha.

A avaliação considerou dados referentes a 2025 enviados ao Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro, o Siconfi. Foram analisados documentos que reúnem informações sobre receitas, despesas, patrimônio, dívidas, caixa, gastos com pessoal e execução do orçamento municipal.

A edição de 2026 aplicou 207 verificações no conjunto da avaliação. Os critérios foram distribuídos entre gestão das informações, dados contábeis, informações fiscais e cruzamento dos valores apresentados em diferentes relatórios. A Serra passou por todas as verificações aplicáveis sem perder pontos.

Segundo o economista Vaner Corrêa o resultado revela a maturidade dos processos adotados pelo município. “O resultado indica maturidade dos processos contábeis, integração entre áreas, controles de fechamento e capacidade técnica das equipes. Também eleva a credibilidade dos números utilizados para formular políticas e prestar contas”, afirma.

Na prática, o desempenho mostra que a Prefeitura trabalha com um retrato confiável da própria situação financeira. Isso permite elaborar um orçamento mais próximo da realidade, antecipar o crescimento de despesas, acompanhar obrigações e avaliar se há recursos para executar novos programas.

“Quando a administração conhece com precisão quanto arrecada, quanto gasta, quais obrigações vencerão e quanto possui em caixa, pode elaborar um orçamento mais realista, ordenar prioridades e avaliar se novos programas cabem financeiramente”, explica Vaner.

Em declaração divulgada pela Prefeitura da Serra, o prefeito Weverson Meireles relacionou a conquista ao compromisso da gestão com a responsabilidade fiscal e a transparência.

“Na Serra, transparência, responsabilidade fiscal e gestão séria são compromissos inegociáveis. Receber o reconhecimento de melhor desempenho do Brasil em qualidade da informação contábil e fiscal mostra que estamos no caminho certo, administrando os recursos públicos com responsabilidade, planejamento e respeito ao cidadão”, destacou.

A Serra já ocupou a 923ª posição no ranking. Em 2023, alcançou a liderança entre os municípios brasileiros de grande porte. No ano seguinte, ficou em quarto lugar no país e teve o melhor desempenho do Espírito Santo e da Região Sudeste. Em 2026, chegou ao topo com a pontuação máxima.

Para Weverson, o avanço também reflete o trabalho realizado pelos servidores municipais. “Essa conquista é fruto do trabalho dedicado dos servidores municipais e fortalece a confiança da população em uma gestão que busca eficiência para transformar recursos em investimentos e melhorias para a cidade”, afirmou.

Pontuação máxima precisa se transformar em serviços para a população

Foto: PMS

Alcançar 100% no ranking mostra que as informações apresentadas pela Serra estavam completas, coerentes e de acordo com as normas analisadas pelo Tesouro Nacional. O resultado, porém, não equivale a uma auditoria de todas as despesas nem permite afirmar, sozinho, que não existe desperdício na administração municipal.

“A principal cautela é não confundir qualidade da informação com qualidade automática do gasto. O ranking avalia se os números são completos, coerentes e aderentes às normas; não certifica, por si só, que toda despesa foi eficiente, que não houve desperdício ou que saúde, educação e infraestrutura já alcançaram o melhor desempenho”, explica o economista Vaner.

Segundo ele, a organização das informações contribui para prevenir erros e identificar problemas com antecedência. O cruzamento dos dados pode revelar classificações incorretas, divergências entre sistemas, duplicidades, obrigações não registradas e saldos incompatíveis.

A qualidade dos demonstrativos também facilita o trabalho dos órgãos de controle e reduz a incerteza para bancos, ministérios e possíveis parceiros. Esse desempenho, entretanto, não garante empréstimos nem cria automaticamente espaço para novos investimentos.

A capacidade de pagamento de um município depende de outros fatores, como endividamento, poupança corrente, liquidez, gastos com pessoal, disponibilidade de caixa e cumprimento dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal.

“O ranking melhora a credibilidade da informação usada nessas análises; não substitui os demais requisitos”, esclarece.

Para a população, a conquista ganha importância quando a qualidade dos dados resulta em decisões melhores. Isso pode ser percebido em obras com cronogramas mais realistas, compras planejadas, menor risco de interrupção de serviços por falta de recursos e maior clareza sobre aquilo que foi previsto e efetivamente entregue.

“Também melhora o controle social. Dados coerentes permitem que vereadores, conselhos, imprensa e moradores comparem orçamento, execução e resultados. Porém, o prêmio é um indicador de capacidade administrativa, não um serviço final”, afirma.

O passo seguinte será observar se essa organização se traduzirá em equilíbrio fiscal, investimentos bem executados e avanços mensuráveis na saúde, educação, mobilidade, saneamento e infraestrutura. “A contabilidade de excelência não substitui a política pública, mas impede que ela seja conduzida às cegas”, conclui o economista.

Fonte do Conteudo: Giulia Reis – eshoje.com.br

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