Vice-governador Ricardo Ferraço critica liberação do jovem responsável pelos ataques e aponta lacunas no sistema socioeducativo
Por Denise Miranda
“A soltura do responsável pelos ataques às escolas de Aracruz expõe uma ferida que o Brasil insiste em não tratar. Não é só sobre um caso, é sobre um sistema que permite que crimes extremamente graves encontrem brechas onde deveria haver responsabilidade, proteção e justiça”, afirmou em sua Rede Social, o vice-governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço, sobre a liberação do jovem responsável pelos ataques a duas escolas do município em 2022.
O episódio evidencia lacunas estruturais do país: a dificuldade em prevenir radicalização, discurso de ódio e violência extrema; a fragilidade de políticas de saúde mental e atendimento a menores; e os limites do sistema jurídico para autores com menos de 18 anos. Relatórios de grupos de trabalho federal indicam que ataques a escolas, embora ainda raros, vêm crescendo desde 2017, muitas vezes associados a ideologias extremistas e falhas no controle de armas.
E Ferraço acrescenta, “quando a lei não acompanha a realidade, quem paga a conta é a sociedade. Ou a gente enfrenta esse debate de frente, sem medo, ou seguiremos assistindo a decisões que ferem famílias, colocam jovens e professores em risco e que ameaçam toda a sociedade. A indignação é legítima, mas não pode ser o ponto final. É hora de mudar.”
Mesmo sendo legal, a soltura do jovem devolve ao país uma questão que o tempo não resolve: como garantir segurança, justiça e dignidade diante de crimes graves cometidos por menores. A resposta exige mais do que punição — exige transformação estrutural, prevenção e políticas eficazes para proteger vidas.
Saiba mais sobre o caso
Em 25 de novembro de 2022, duas escolas de Aracruz, no Espírito Santo, foram alvo de um ataque cometido por um adolescente de 16 anos na época. Ele invadiu a Escola Estadual Primo Bitti e o Centro Educacional Praia de Coqueiral, disparando contra alunos e professores. O ataque deixou quatro mortos — incluindo uma estudante de 12 anos — e 12 feridos.
O autor do crime cumpriu medida socioeducativa por três anos, recebendo acompanhamento psicológico e participando de atividades de reinserção social, mas não havia base legal para prorrogar sua detenção.
O episódio chocou a comunidade local e reacendeu o debate sobre segurança nas escolas, proteção de jovens e professores, e limites da legislação brasileira para adolescentes que cometem crimes graves. A soltura do responsável agora levanta novamente questões sobre prevenção, responsabilização e medidas de proteção para evitar tragédias semelhantes
Fonte do Conteudo: Denise Miranda – esbrasil.com.br