Tipo sanguíneo influencia preferência alimentar? Nutricionista explica

A ideia de que o tipo sanguíneo pode determinar o que uma pessoa deve ou gosta de comer ganhou popularidade nas últimas décadas, mas não encontra respaldo na ciência.

Nutricionistas ouvidas pelo Metrópoles afirmam que não há evidências consistentes de que o sistema ABO influencie preferências alimentares ou comportamento alimentar.

A teoria ficou conhecida a partir do médico americano Peter D’Adamo, que propôs uma dieta baseada no tipo sanguíneo. A proposta sugere que cada grupo — A, B, AB e O — deveria seguir um padrão alimentar específico, com a promessa de melhorar a digestão, prevenir doenças e promover mais saúde.

Na prática, a dieta propõe listas de alimentos recomendados e evitados para cada tipo sanguíneo. Pessoas do tipo A, por exemplo, são orientadas a priorizar vegetais e reduzir proteínas animais, enquanto indivíduos do tipo O teriam uma alimentação mais rica em carnes.

A lógica por trás da proposta é que diferentes tipos sanguíneos reagiriam de maneira distinta aos alimentos. No entanto, essa hipótese não foi comprovada por estudos científicos robustos.

O que diz a ciência

Segundo a nutricionista Verena Pospischek, da Clínica CliNutri, em São Paulo, não existe relação direta entre o tipo sanguíneo e o comportamento alimentar. “Até o momento, não existe evidência científica consistente que mostre que o tipo sanguíneo influencie preferências alimentares”, afirma.

Ela explica que o sistema ABO está relacionado a antígenos presentes nas células sanguíneas e tem impacto em aspectos como imunidade, mas não em mecanismos ligados ao paladar ou ao apetite. “Fisiologicamente, não há associação do sistema ABO impactando no comportamento alimentar”, completa.

Na prática clínica, a nutricionista Mayara Monteiro, da Estima Nutrição, também de São Paulo, relata não observar padrões alimentares semelhantes entre pessoas com o mesmo tipo sanguíneo.

“O que mais observo é que fatores como ambiente, família, emocional e rotina definem mais as preferências alimentares do paciente”, diz.

Especialistas afirmam que tipo sanguíneo não determina preferências alimentares

O que realmente influencia o que você gosta de comer

Se o tipo sanguíneo não explica as escolhas alimentares, outros fatores ajudam a entender por que cada pessoa tem preferências diferentes. A cultura alimentar tem papel importante — no Brasil, por exemplo, o consumo de arroz e feijão faz parte da rotina de grande parte da população.

O ambiente e a rotina também influenciam diretamente, já que a falta de tempo pode levar ao consumo de alimentos mais práticos e ultraprocessados. Além disso, fatores genéticos podem interferir na forma como cada pessoa percebe os sabores, aumentando ou reduzindo a sensibilidade ao doce, amargo ou gordura.


O que realmente influencia a preferência alimentar

  • Cultura alimentar: hábitos aprendidos desde a infância.
  • Ambiente e rotina: acesso e praticidade no dia a dia.
  • Fatores emocionais: relação com a comida e comportamento alimentar.
  • Genética do paladar: sensibilidade a sabores como doce e amargo.
  • Experiências ao longo da vida: memórias e vivências com alimentos.

Por que a dieta do tipo sanguíneo faz sucesso

Mesmo sem respaldo científico, a dieta do tipo sanguíneo continua famosa. “Ela ficou popular porque é simples de entender e vende a ideia de personalização”, afirma Verena.

Além disso, muitas recomendações presentes na dieta — como reduzir ultraprocessados e priorizar alimentos naturais — podem trazer benefícios reais. Isso faz com que algumas pessoas percebam melhora e associem o resultado ao tipo sanguíneo, e não à mudança geral na qualidade da alimentação.

Foto colorida de pedaço de carne mal passada - Metrópoles
Cultura e rotina pesam mais que o tipo sanguíneo na alimentação

Há riscos em seguir esse tipo de dieta?

As especialistas alertam que a adoção da dieta pode levar a restrições desnecessárias. A exclusão de grupos alimentares sem indicação adequada pode resultar em desequilíbrios nutricionais. Mayara destaca que o foco no tipo sanguíneo pode desviar a atenção de aspectos mais relevantes.

“Existem outras formas de determinar o que o paciente pode consumir, como a rotina, exames, sinais e sintomas e o ambiente no qual ele vive”, explica.

A recomendação das nutricionistas é olhar para o indivíduo como um todo. Isso inclui rotina, preferências, contexto de vida, sinais do corpo e objetivos de saúde.

A partir dessa avaliação, é possível construir um plano alimentar equilibrado, adaptado à realidade da pessoa e com maior chance de adesão a longo prazo.

No fim das contas, o tipo sanguíneo não determina o que você gosta de comer — e focar em hábitos consistentes e personalizados continua sendo o caminho mais seguro para uma alimentação saudável.

Fonte do Conteudo: Metrópoles – www.metropoles.com

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