A tecnologia a serviço do crime orgnaizado. A polícia identificou que traficantes do Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, controlados pelo Comando Vermelho (CV), passaram a utilizar drones de grande porte para o transporte de armas e drogas entre favelas da facção. Segundo a Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública, as aeronaves podem carregar até 80 quilos, o equivalente a cerca de 20 fuzis FAL ou AR-15, e voar por até 12 quilômetros sem precisar pousar.
Imagens registradas por uma aeronave da Polícia Militar mostram o treinamento de um dos drones. O veículo aéreo não tripulado, com aproximadamente três metros de comprimento, aparece cercado por pelo menos dez pessoas momentos antes da decolagem. A gravação foi feita em uma área aberta, com poucas residências próximas, mas a data exata não foi divulgada.
De acordo com as autoridades, os modelos utilizados pela facção são originalmente destinados à agricultura, para pulverização, ou a operações de entrega de cargas. Cada aeronave tem custo estimado superior a R$ 200 mil.
A investigação aponta que a autonomia dos drones permite que drogas e armas sejam transportadas entre diferentes comunidades controladas pelo CV. Partindo do Complexo do Alemão, os veículos poderiam alcançar locais como Cidade de Deus, Jacarezinho, Complexo do Lins e Complexo do Chapadão.
Os drones também seriam capazes de percorrer trajetos de cerca de cinco quilômetros, conectando as comunidades da Gardênia Azul, em Jacarepaguá, à Muzema, no Itanhangá, áreas dominadas pela facção. Esses locais são pontos estratégicos, de onde traficantes armados frequentemente tentam invadir a comunidade de Rio das Pedras, conhecida como reduto de milicianos.
“O nosso novo foco é impedir que eles usem essa nova ferramenta para implementar o fluxo de armas e drogas entre as comunidades sem o perigo de interceptação pela polícia“, afirmou o delegado Pablo Sartori, subsecretário de Inteligência da Secretaria de Segurança do estado.
Os treinamentos com drones ocorrem em uma área do Complexo do Alemão, próximo ao Complexo da Penha, região que abriga parte da cúpula do Comando Vermelho ainda foragida. Entre os procurados estariam Edgar Alves de Andrade, o Doca; Carlos da Costa Neves, o Gardenal, responsável pela segurança e expansão territorial em Jacarepaguá; Pedro Paulo Guedes, o Pedro Bala, gerente-geral do tráfico; e Luciano Martiniano da Silva, o Pezão.
Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o grupo possui 82 mandados de prisão ativos.
Fonte do Conteudo: Altair Alves – diariodorio.com