Enquanto no Rio de Janeiro a função é carreira de Estado, em solo capixaba ainda prevalecem contratos temporários e estruturas precárias
A morte de Magdo Cancio Batista, 51, e do sobrinho Felipe Henrique Batista da Cruz, 27, arrastados por uma corrente de retorno na Praia da Gamboa, em Itapemirim, abriu um debate urgente, como o Espírito Santo trata a função de guarda-vidas.
Na Câmara Municipal, o vereador Paulo de Oliveira Cruz Neto, que é salva-vidas desde 2008, lembrou que desde o início do mandato vem cobrando melhores condições de trabalho. “Sei da importância desse serviço para nosso turismo e segurança dos visitantes e do itapemirinense”, disse ao ES Notícia. Ele citou que já protocolou ofícios, indicações e requerimentos pedindo equipamentos de proteção individual, veículos como quadriciclos e até jet ski para apoio em resgates, pedidos que, segundo ele, não foram atendidos.
A tragédia expôs justamente a ausência de guarda-vidas no posto da Gamboa no momento do afogamento. Populares e pescadores se arriscaram no mar até a chegada do socorro, em um cenário descrito por testemunhas como caótico.
O contraste com o Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, o serviço de salvamento marítimo é de responsabilidade do Corpo de Bombeiros Militar (CBMERJ). Ou seja, ser guarda-vidas é uma carreira de Estado, com estabilidade, progressão salarial, adicional de risco de vida, aposentadoria especial e treinamento contínuo.
Já no Espírito Santo, o modelo predominante é o da contratação temporária por prefeituras, geralmente apenas para a alta temporada. Os contratos duram de três a seis meses, não há plano de carreira e os profissionais ficam sem estabilidade. A qualidade da estrutura, como bases, equipamentos e veículos, depende diretamente da gestão municipal.
O comparativo escancara a diferença entre profissionalizar o serviço como parte da segurança pública e tratá-lo como atividade sazonal. No Rio, o banhista conta com uma rede de salvamento militarizada e permanente. No Espírito Santo, até em pontos turísticos, a população ainda convive com postos desguarnecidos.
“Investimento em segurança não é gasto, é investimento. O preço de uma vida é incalculável”, reforça o vereador Paulo, que promete seguir cobrando a convocação da secretária de Defesa Social na Câmara para dar explicações sobre o caso.
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Fonte do Conteudo: Luciana Máximo – www.espiritosantonoticias.com.br