Tratamento com remédio contra tênia reduz sinais de endometriose

Um medicamento usado contra parasitas intestinais pode abrir uma nova linha de pesquisa para a endometriose. Em estudo publicado em 30 de agosto na revista Advanced Healthcare Materials, cientistas testaram uma versão adaptada da niclosamida — fármaco usado para eliminar tênias — e observaram redução de lesões e da sensibilidade à dor em camundongos.

A doença ocorre quando um tecido semelhante ao do útero cresce fora do órgão. Afeta cerca de uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva e pode causar dor pélvica, cólicas intensas e infertilidade. Mesmo com tratamento, os sintomas podem persistir por anos.


O que é a endometriose?

  • A endometriose é caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio – que reveste o útero – em outras partes do corpo, como ovários e intestino, formando lesões.
  • A doença interfere em diversos aspectos da vida da mulher, incluindo saúde mental, vida sexual, relações pessoais, trabalho e renda.
  • Entre os principais sintomas associados à endometriose estão: dismenorreia (cólica menstrual intensa), dor pélvica crônica, dispareunia (dor durante a relação sexual com penetração), infertilidade, queixas intestinais e urinárias com padrão cíclico.
  • As causas da endometriose ainda não são completamente conhecidas e o diagnóstico definitivo só é possível por meio de laparoscopia.

Como o tratamento foi desenvolvido

Pesquisas anteriores já indicavam que a niclosamida poderia ter efeito sobre a endometriose. O desafio era fazer o medicamento chegar às células envolvidas na manutenção da doença.

Para isso, a equipe desenvolveu uma estrutura molecular chamada dendrímero. Nela, os cientistas acoplaram ácido fólico, que se liga a um tipo específico de célula do sistema imune, e conectaram a niclosamida ao composto.

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do Metrópoles Saúde e Ciência

A estratégia busca levar o medicamento diretamente a macrófagos associados às lesões. As células podem liberar sinais inflamatórios e favorecer o crescimento do tecido fora do útero.

Resultados em animais

O tratamento foi testado em camundongos com lesões semelhantes às da endometriose. Após a aplicação, os animais apresentaram menos lesões e de menor tamanho em comparação com o grupo que não recebeu o medicamento.

Em parte dos casos, não foram detectadas lesões duas semanas após a aplicação. Os testes também indicaram redução da sensibilidade à dor. Os resultados mostram resposta ao tratamento em animais, mas não permitem estimar o efeito em pessoas.

Limitações e próximos passos

O estudo envolveu um número pequeno de animais e avaliou apenas um período curto após a aplicação. Ainda não há dados sobre segurança a longo prazo, uso repetido ou eficácia em humanos.

Segundo a pesquisadora Kanako Hayashi, da Universidade Estadual de Washington, nos Estados Unidos, o trabalho ainda está em fase pré-clínica. Antes de qualquer uso clínico, são necessários novos testes e aprovação para ensaios em humanos.

Fonte do Conteudo: Metrópoles – www.metropoles.com

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