A primeira-ministra da Ucrânia, Yulia Svyrydenko, anunciou nesta quarta-feira, 12, que o ministro da Justiça, German Galushchenko, foi suspenso de suas funções após ser acusado de participar de um esquema de corrupção milionário envolvendo a empresa estatal de energia nuclear Energoatom. O episódio teria acontecido durante seu mandato como ministro da Energia, e envolve também um importante aliado do presidente Volodymyr Zelensky.
Galushchenko atuou por quatro anos no Ministério da Energia, deixando o cargo para assumir a pasta da Justiça em julho. Segundo o Escritório da Procuradoria Especializada Anticorrupção (SAPO), o então ministro teria ajudado os participantes do esquema a gerir fluxos financeiros ilícitos dentro do setor energético. No total, o arranjo teria lavado cerca de US$ 100 milhões (aproximadamente R$ 530 milhões).
Em comunicado, o ministro disse ter conversado com Svyrydenko e acredita que o afastamento é adequado para o atual momento. “A suspensão durante o período de investigação é um cenário civilizado e correto”, declarou Galushchenko. “Vou me defender no tribunal e provar minha posição”, concluiu.
O caso
A decisão envolvendo Galushchenko é resultado de um inquérito de 15 meses levado a cabo pelo Gabinete Nacional Anticorrupção (NABU), que desvendou um complexo arranjo supostamente orquestrado pelo empresário Timur Minduch, co-proprietário da produtora Kvartal 95 e aliado próximo do presidente Volodymyr Zelensky.
Segundo o NABU, o grupo teria montado um “grande esquema de corrupção para controlar importantes empresas estatais”. No caso da Energoatom, o órgão apontou que os criminosos teriam recebido propina de empreiteiras vinculadas à estatal, com valores entre 10% e 15% do valor de cada contrato.
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As autoridades indiciaram sete pessoas e aplicaram mandatos de busca e apreensão em imóveis vinculados aos envolvidos na segunda-feira 10, incluindo escritórios de Galushchenko e imóveis ligados a Minduch. De acordo com o jornal ucraniano Kyiv Independent, o aliado de Zelensky foi informado das buscas e fugiu antes da deflagração da operação. Ele segue foragido.
“Todos que arquitetaram esquemas devem receber uma resposta processual clara”, declarou o presidente ucraniano em um pronunciamento à nação na segunda. O presidente também elogiou as operações do NABU — embora tenha tentado restringir a independência do órgão anticorrupção meses atrás, processo interrompido após uma série de protestos contra a manobra.
Envolvida em um conflito brutal com a Rússia desde 2022, a Ucrânia vê as acusações de suborno no setor energético como um tema delicado. Os ataques russos à infraestrutura local fazem com que os ucranianos tenham que enfrentar apagões diariamente em meio ao amplo esforço de guerra promovido por Kiev.
Fonte do Conteudo: Amanda Péchy – veja.abril.com.br