Ucrânia intensifica campanha anticorrupção e premia denunciantes

Quando foi solicitado a abordar investigadores ucranianos com um suborno de US$ 5 milhões em nome de um ex-alto funcionário em 2020, o empresário Yevhen Shevchenko teria direito a uma parte como intermediário.

Este mês, ele finalmente recebeu seu dinheiro – mas do governo ucraniano, em troca de relatar a propina à polícia anticorrupção e montar uma operação secreta.

Shevchenko é um dos dois primeiros denunciantes da Ucrânia a receber um pagamento do estado por seu papel em ajudar a levar um funcionário corrupto à justiça, parte de uma repressão à corrupção que ganhou maior importância durante a guerra com a Rússia.

Também neste mês, um funcionário do Ministério da Defesa recebeu o equivalente a cerca de US$ 40.500 por relatar um suborno oferecido em 2021 em troca de uma auditoria favorável de um contratado do ministério.

As autoridades esperam que a prática de oferecer recompensas, introduzida em 2019, mas implementada apenas recentemente, reforce um esforço que é essencial para a ambição da Ucrânia de ingressar na União Europeia.

As autoridades intensificaram sua campanha contra a corrupção, iniciando investigações contra ministros e ex-assessores presidenciais.

A Ucrânia subiu no último Índice de Percepção de Corrupção da Transparência Internacional, ficando em 104º lugar entre 180 países. A tolerância pública à corrupção também despencou, pois a invasão da Rússia esgota recursos preciosos.

Mas a corrupção continua generalizada, com instituições estatais tradicionalmente fracas se mostrando facilmente exploradas e teimosamente resistentes à reforma. A corrupção de alto nível é particularmente corrosiva, acreditam os vigilantes.

As recompensas são projetadas para lidar com essa ameaça, aplicando-se apenas a casos em que o valor em questão – seja a soma do suborno ou os danos potenciais ao estado – exceda 5.000 vezes o nível mínimo de subsistência mensal, atualmente em torno de US$ 73.

A prática envia um sinal poderoso para possíveis denunciantes e instituições estatais, de acordo com Anastasia Renkas da Agência Nacional de Prevenção à Corrupção, um órgão fiscalizador do estado.

“Se as pessoas conhecem seus direitos, então todas as organizações começarão a considerar o fato de que as pessoas podem começar a fazer uso desses direitos”, disse ela.

Os denunciantes têm direito a 10% do valor em seus casos assim que as condenações forem proferidas, com recompensas limitadas a US$ 500.000.

Em um esforço separado, os legisladores atualizaram na terça-feira os regulamentos sobre acordos de confissão de culpa em casos de corrupção, o que, segundo especialistas, também pode ajudar a capturar suspeitos de alto perfil.

“Ferramenta motivacional”

Os casos de Shevchenko e do oficial de defesa foram concluídos no ano passado, mas os pagamentos foram destinados apenas pela primeira vez no orçamento de 2024.

Shevchenko, que já havia trabalhado com a polícia anticorrupção da Ucrânia como informante, recebeu o equivalente a cerca de US$ 320.000.

Ele acredita que as recompensas são uma forte “ferramenta motivacional” que pode obrigar ucranianos cívicos, embora mais necessitados, próximos de grandes casos de corrupção – como motoristas ou empregadas domésticas – a denunciar irregularidades.

“Há um número muito grande de pessoas que podem ajudar a descobrir crimes, mas não o fazem porque têm medo ou por outros motivos”, disse ele.

Além de codificar as recompensas mais firmemente na lei, a NACP, a agência fiscalizadora do estado, lançou um portal online permitindo que funcionários do setor público denunciem anonimamente suspeitas de corrupção no trabalho.

Mais de 4.000 relatórios foram enviados desde o ano passado, embora até agora apenas uma pequena fração – 47 – tenha envolvido violações criminais ou administrativas concretas.

Renkas reconheceu que muitos ucranianos continuam hesitantes em denunciar corrupção por causa dos riscos pessoais, então sua agência também está trabalhando para aumentar a proteção legal para denunciantes.

O objetivo geral, ela diz, é desafiar como os ucranianos tradicionalmente pensam sobre corrupção. “O bandido não é o denunciante, mas sim aquele que comete o crime e dita esse tipo de regra.”

Fonte do Conteudo: salvadoroliveira – www.cnnbrasil.com.br

VEJA MAIS

Casos graves de Covid podem reativar vírus adormecidos no organismo

A Covid-19 pode fazer mais do que causar uma infecção respiratória. Um estudo publicado nessa…

Copa do Brasil pode reunir somente campeões nas quartas de final

As quartas de final da Copa do Brasil deste ano podem reunir somente times que…

Entenda como funciona o Gabinete de Crise montado para acompanhar chegada de ventania em SP

Órgão é formado por representantes do Estado, das concessionárias, agências reguladoras, corpo de bombeiros e…