Ucrânia investiga esquema de corrupção ligado a empresa estatal de energia nuclear

O gabinete anticorrupção da Ucrânia anunciou nesta segunda-feira, 10, uma investigação sobre um esquema de propinas de US$ 100 milhões (cerca de R$ 530 milhões) supostamente operado dentro da Energoatom, estatal responsável pela energia nuclear do país. As acusações atingem antigos e atuais funcionários da companhia, além de um ex-assessor do Ministério da Energia, suspeitos de liderar uma rede de corrupção que manipulava contratos e pagamentos a fornecedores.

A agência anticorrupção, que atua de forma independente do governo, classificou o caso como uma das maiores investigações do setor energético desde o início da guerra, em fevereiro de 2022. Segundo comunicado, uma “organização criminosa de alto nível” teria desviado cerca de US$ 100 milhões por meio de contratos fraudulentos da Energoatom.

Foram citados entre os suspeitos o chefe de segurança da estatal e um ex-assessor do ministro da Energia, além de outros quatro funcionários administrativos. A agência divulgou fotos de pacotes de dinheiro em hryvnias (moeda ucraniana), dólares e euros apreendidos durante a operação, mas não revelou a identidade dos envolvidos.

A Energoatom confirmou, em nota publicada nas redes sociais, que seus escritórios foram alvo de buscas e que colabora com as autoridades. “Esperamos que a transparência da investigação tranquilize nossos parceiros internacionais”, declarou a ministra da Energia, Svitlana Hrynchuk, ao afirmar que ainda não teve acesso aos detalhes do caso.

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Entenda o esquema

O sistema elétrico ucraniano vem sofrendo danos significativos após uma nova onda de bombardeios russos, que atingem principalmente subestações ligadas a usinas nucleares. Apesar dos ataques, Kiev alega que suas centrais nucleares continuam intactas.

De acordo com o chefe de investigações do Gabinete Nacional Anticorrupção, Oleksandr Abakumov, os suspeitos exigiam subornos de 10% a 15% dos contratos para liberar pagamentos e manter o status de fornecedores. “Uma empresa estratégica, com receita anual superior a 200 bilhões de hryvnias, era controlada por pessoas sem autoridade formal”, informou.

As buscas, que envolveram mais de 70 endereços, resultaram de uma apuração de 15 meses e cerca de mil horas de gravações. O deputado oposicionista Yaroslav Zheleznyak apresentou um pedido de demissão da ministra Hrynchuk e de seu antecessor, German Galushchenko, atual ministro da Justiça, em razão das denúncias.

Em julho, pressões populares e críticas internacionais levaram o presidente Volodymyr Zelensky a restaurar a autonomia das principais agências anticorrupção do país, após tentativas de limitar seus poderes. O combate à corrupção é considerado um dos principais pré-requisitos para que a Ucrânia avance no processo de adesão à União Europeia (UE).

Fonte do Conteudo: Júlia Sofia – veja.abril.com.br

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